Sismos na Venezuela: esperança resiste entre os escombros
Dois novos sismos voltam a abalar o país. Equipas de resgate trabalham sem parar para encontrar sobreviventes. Milhares de pessoas estão desaparecidas.
A Venezuela voltou a ser abalada por dois novos sismos na noite de sexta-feira e um ao final da tarde de sábado, prolongando o clima de tensão, poucos dias depois do devastador duplo terramoto que destruiu bairros inteiros e provocou, pelo menos, 1430 mortos. Entre eles estão 48 portugueses.
O mais forte dos novos abalos atingiu magnitude 4.8 e foi sentido, este sábado, na costa da região de Aragua. Embora não haja indicação de danos significativos provocados pelos novos tremores, aumentaram o receio entre milhares de pessoas que continuam desalojadas e dificultaram as operações de busca nas áreas mais afetadas. As equipas de emergência mantêm uma corrida contra o tempo para localizar sobreviventes soterrados pelos edifícios que colapsaram, após os dois violentos sismos de magnitude 7.2 e 7.5 que atingiram o país, com apenas 39 segundos de intervalo. Segundo as autoridades, o número de mortos continua a aumentar, enquanto milhares de pessoas permanecem desaparecidas ou sem casa. A região costeira de La Guaira continua a concentrar a maior parte das operações de resgate. No meio da destruição, algumas histórias de sobrevivência têm alimentado a esperança. Uma das mais comoventes é a de um bebé, de apenas 18 dias, que foi encontrado com vida debaixo dos escombros de um edifício. Os socorristas conseguiram retirar a criança em segurança e entregá-la ao pai, num momento que emocionou tanto as equipas de salvamento como os familiares presentes. Cerca de hora e meia depois, também a mãe do bebé foi retirada com vida dos destroços, transformando a tragédia numa rara história de esperança.
Outra sobrevivente, Graciela Mora, contou que conseguiu escapar à morte agarrando-se com toda a força à estrutura de uma porta durante os violentos abalos. A mulher fraturou um dedo, mas sobreviveu ao colapso parcial do edifício onde estava. Uma amiga que estava ao seu lado não resistiu. Graciela contou que segurou a mão da amiga enquanto esperava pelo resgate para que ela não morresse sozinha. Outros sobreviventes descreveram minutos de desespero enquanto aguardavam para ser retirados dos escombros, rezando para que as estruturas resistissem até à chegada das equipas de salvamento. No meio do caos para encontrar sobreviventes, equipas de resgate estão também a salvar cães, gatos e outros animais que ficaram presos nos destroços. Bombeiros, militares, voluntários e equipas internacionais trabalham sem interrupção entre montanhas de betão. Em vários locais, moradores continuam a escavar com as próprias mãos na esperança de encontrar familiares desaparecidos antes que o tempo esgote as possibilidades de localizar mais sobreviventes. O mais recente balanço dá conta de pelo menos 1430 mortos e 3238 feridos. Há mais de 50 mil desaparecidos.
E TAMBÉM
“Campanha política”
Delcy Rodríguez foi vaiada em Caracas por familiares de vítimas presas nos escombros de um edifício que desabou. “Chega de campanha política no meio de uma tragédia como a que estamos a viver”, disseram à governante. Os moradores acusam também o Governo de “não fazer nada pelo povo”.
Salvamento
Uma avó e os dois netos foram as primeiras pessoas resgatadas pela Equipa de Resposta Imediata de Madrid, com a ajuda de quatro cães da unidade.
Seguro em minuto de silêncio
O Presidente da República, António José Seguro, reuniu-se com a comunidade portuguesa da Florida, nos EUA, incluindo vários luso-venezuelanos, e fez um minuto de silêncio pelas vítimas dos sismos na Venezuela.
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