“Só sobrevivi por ser gordinha”
"Não era a minha hora." É assim que Renata Lima, de 13 anos, explica o facto de ter sobrevivido ao massacre na escola carioca de Tasso da Silveira, Realengo. Foi lá que o ex-aluno executou, na semana passada, 12 colegas. <br/><br/>
"Na hora em que ele me viu em pé, mirou-me e apertou o gatilho, mas a arma não tinha mais balas. Enquanto ele recarregava, comecei a correr e ele acertou-me quando eu já estava na porta", conta Renata, que levou um tiro nas costas, mas sobreviveu porque a bala saiu pela parte lateral do corpo e não atingiu qualquer órgão. Sorrindo, a adolescente, que já teve alta do hospital, acrescenta: "Foi o facto de ser gordinha que me salvou." Wellington Menezes de Oliveira perseguiu Renata, provavelmente por ser menina, como a maioria das vítimas, mas poupou outro gordinho, Mateus Moraes, também de 13 anos.
"Ele ficou a menos de meio metro de mim e começou a atirar e eu pensei que ia morrer. Mas quando ele parava para recarregar as armas gritava ‘fica tranquilo, gordinho, eu já disse que não vou te matar’", conta Mateus, confessando que teve muito medo e que rezou muito. Descrevendo o horror vivido, afirmou: "Ele chegava perto dos meus colegas feridos no chão, esperava um pouco e dava-lhes tiros na cabeça. Quando tudo terminou, vi muitos mortos e muito sangue nas paredes da sala."
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