Sou uma alternativa credível

Antonieta Rosa Gomes, licenciada em Direito, líder do Fórum Cívico Guineense-Social Democracia na Guiné-Bissau, é a primeira mulher presidente de um partido e a única a concorrer às eleições presidenciais. Está convicta que reúne condições para o cargo.

22 de maio de 2005 às 00:00
Sou uma alternativa credível Foto: Marta Vitorino
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Correio da Manhã – Esta é a 3.ª vez que concorre às eleições presidenciais. Em 1994 e 99 ficou em último lugar. O que a faz concorrer de novo?

Antonieta Rosa Gomes – Concorro porque nenhum presidente até agora conseguiu estabilidade política, económica e social para o país. Tenho experiência profissional e política, contactos internacionais, fui ministra da Justiça e, depois, dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional. Cargos que me deram experiência para o cargo a que concorro. Portanto, sou uma alternância credível para a Guiné-Bissau. Porque ser mulher não significa ser incapaz. Como mulher e mãe sou mais sensível aos problemas e a vontade de os resolver é maior.

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É a única mulher contra 16 homens...

– Sim, mas há desvantagens e vantagens. A maior desvantagens é a mentalidade social machista. Contudo, já há muitas vozes a dizer que é preciso apostar na mulher . Se assim for, poderei passar à 2.ª volta e a partir daí tudo pode acontecer.

Mas a sua candidatura não consegue congregar um movimento de mulheres à sua volta.

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– O problema é partidário, porque as mulheres dividem-se em vários partidos. É preciso que as mulheres ponham as questões partidárias de parte para se unirem em defesa dos interesses do país.

O partido é visto como se fosse uma família constituída por si, pelo seu marido e filhas...

– É visto assim porque eu sou mulher. Porque se o meu marido fosse o líder, ninguém dizia isso. Eis uma demonstração de machismo. A maior parte das mulheres que estão noutros partidos é porque os líderes são homens.

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A decisão final do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) agradou-lhe?

– Foi uma surpresa a aprovação das candidaturas de ‘Nino’ e Kumba. Os motivos não foram jurídicos, mas sim políticos. O STJ desacreditou-se. É muito grave o que aconteceu.

Vamos ter então uma campanha com muitas críticas?

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– Sim, é preciso não ter memória curta. Com ‘Nino’ há feridas que ainda não sararam. As pessoas que foram vítimas dos 18 anos do seu regime ainda estão a chorar. Quanto a Kumba, também tem um passado recente que deixa muito a desejar. A saber, violação dos direitos humanos, interferências noutros poderes de soberania e outros atropelos. Portanto, vamos ter eleições muito nebulosas e conflituosas.

Antonieta Rosa Gomes fundou o Fórum Cívico Guineense-Social Democracia, em 23 Fevereiro de 1991, quando trabalhava no Brasil, após a abertura política na Guiné-Bissau, em 1990.

Nasceu em Bissau a 4 de Maio de 1959, é casada e mãe de duas filhas. Estudou em Bissau e licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de S. Paulo.

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Em Julho de 1994 e em Novembro de 1999 concorre às eleições presidenciais. Integra o primeiro governo constitucional como ministra da Justiça, de Fevereiro de 2000 a Janeiro de 2001. De Março a Novembro de 2001, assume a pasta dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional.

Actualmente é presidente do Observatório dos Direitos da Mulher.

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