“Tem de haver consequências” para responsáveis por espionagem
Governo alemão exige "saber exatamente o que se passou" e promete que vigilância ilegal não ficará impune. Espanhóis também foram espiados
A Alemanha prometeu ontem que a espionagem ilegal dos EUA a milhões de cidadãos alemães, incluindo a chanceler Angela Merkel, não ficará impune. A garantia foi dada no dia em que se soube que também a Espanha foi alvo dos programas de vigilância da Agência Nacional de Segurança (NSA).
"Queremos saber exatamente o que se passou e não aceitaremos que os responsáveis por estas operações de espionagem não sofram consequências", assegurou o ministro alemão do Interior, Hans-Peter Friedrich. A Alemanha foi nos últimos dias abalada pela notícia de que a NSA manteve dois ‘postos de escuta’ em Berlim e Frankfurt e intercetou durante anos milhões de telefonemas e comunicações eletrónicas, incluindo da chanceler Merkel, alegadamente, com a anuência do próprio presidente Barack Obama.
Entretanto, a Espanha exigiu ontem explicações a Washington depois de o ‘El Mundo’ ter revelado que a NSA intercetou mais de 60 milhões de comunicações telefónicas em território espanhol entre dezembro de 2012 e janeiro deste ano. "A ser verdade, estes atos podem causar a rutura do clima de confiança entre os dois países", avisou o chefe da diplomacia espanhola, José Manuel García-Margallo. O embaixador dos EUA em Espanha, James Costos, prometeu "clarificar todas as dúvidas", mas ressalvou que os programas de escutas "têm desempenhado um papel fundamental na proteção dos interesses dos EUA e dos seus aliados".
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