Temer denuncia golpe e exige fim de inquérito
Presidente falou ao país para dizer que as gravações de conversas que a Justiça está a usar contra si foram manipuladas.
No segundo discurso à nação em três dias, o presidente brasileiro, Michel Temer, reafirmou ontem que não se demite e anunciou que vai pedir ao Supremo Tribunal a suspensão da investigação aberta na quinta-feira contra si por corrupção e obstrução da Justiça. Temer alega que a gravação que originou o inquérito foi manipulada.
"Essa gravação clandestina foi adulterada e manipulada com objetivos subterrâneos, e foi incluída no inquérito sem a adequada averiguação", afirmou Temer, que concluiu reafirmando: "O Brasil não vai sair dos trilhos. Eu continuarei à frente do governo."
A gravação citada foi feita em março pelo empresário Joesley Batista, alvo de inúmeros processos por corrupção, num encontro reservado com Temer. No áudio, Temer parece dar o aval a Joesley para comprar o silêncio de uma testemunha que poderia incriminar o presidente, e ouve com aprovação o empresário afirmar que suborna magistrados e políticos.
Peritos contratados por jornais confirmaram que a gravação tem dezenas de interrupções, que podem resultar da má qualidade do gravador ou de edição deliberada. Mas, e Temer não referiu isso, os peritos garantem que na parte mais comprometedora não há interrupções e que a gravação revela um diálogo claro e coerente.
Presidente desviou milhares em luvas
Empresa subornou milhares de políticos
SAIBA MAIS
Aliados divididos
Aliados de Temer estão divididos quanto à eventual renúncia do presidente. Muitos defendem a renúncia imediata, pois a situação agrava-se a cada dia, mas o chamado núcleo duro é contra, pois com a demissão perderia o foro privilegiado.
Mesada por 25 anos
A empresa JBS concedeu ‘uma reforma’ a Temer e um assessor, comprometendo-se a pagar uma mesada enorme a ambos por 25 anos, em contrapartida de uma medida governamental que garantiu um contrato à empresa por igual período.
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