Temer nomeia amigo ministro para o livrar do juiz Sérgio Moro
Presidente brasileiro pode ter repetido o gesto da sua antecessora, Dilma Rousseff.
O presidente brasileiro, Michel Temer, que tanto criticou a então presidente Dilma Rousseff quando esta, em Abril do ano passado, nomeou Lula da Silva ministro da Presidência para o livrar da alçada do temido juíz Sérgio Moro, pode ter repetido hoje o gesto da sua antecessora. Ele promoveu de secretário a ministro da Secretaria-Geral da presidência o amigo de mais de 30 anos Moreira Franco, citado ao menos 34 vezes em denúncias de envolvimento com o escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.
Como secretário, Moreira Franco era um cidadão comum, sem qualquer privilégio, e, se se tornasse arguido num dos processos em que é citado, cairia nas mãos de Sérgio Moro, o magistrado que comanda com mão de ferro a parte da Lava Jato que não envolve políticos no exercício de mandato. Como ministro que é a partir de hoje, Moreira Franco só pode ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, onde tramitam os processos envolvendo autoridades.
Com isso, o agora novo ministro ganha um tempo precioso. Além de a tramitação no STF ser bem mais morosa do que na primeira instância, onde Moro já condenou dezenas de acusados, a morte no passado dia 19 do relator dos processos, Teori Zavascki, obrigou a escolher um novo relator, o juíz Luiz Edson Fachim, definido apenas esta quinta-feira, e que vai precisar de muitos meses para se inteirar de todos os processos.
A nomeação causou uma polémica tão grande e teve tanta repercussão negativa na imprensa que o governo foi obrigado a manifestar-se. Eliseu Padilha, ministro da Presidência e, ele também, citado em inúmeras denúncias da Lava Jato, veio a público esta sexta-feira afirmar não ser verdade que a nomeação de Moreira Franco tenha o intuito de o ajudar a livrar-se de Moro, e sim que foi motivada ppelo interesse nacional.
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