"Tenho fome e sede, mas vou resistir até cair": Milhares de migrantes continuam em Ceuta na esperança de chegar à Europa

Migrantes que entraram em Ceuta a nado não são apenas marroquinos. Há muitas centenas de outros países de África.

03 de agosto de 2026 às 01:30
Migrantes provenientes de Marrocos continuam nas praias em Ceuta Foto: Nuno Alfarrobinha
Mouad Zaroual diz não querer regressar a Marrocos Foto: Nuno Alfarrobinha
Migrantes dormem na praia Foto: Nuno Alfarrobinha
Autoridades distribuíram água aos migrantes, mas as condições continuam precárias. Queixam-se de falta de comida Foto: Nuno Alfarrobinha
Autoridades distribuíram água aos migrantes, mas as condições continuam precárias. Queixam-se de falta de comida Foto: Nuno Alfarrobinha

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Mouad Zaroual é um dos muitos migrantes que ainda resistem ao cerco em Ceuta. O jovem marroquino, de 15 anos, tem conseguido manter-se numa zona de praia deste enclave espanhol, onde no domingo as autoridades começaram a fornecer água. "Eu quero ir para um país da Europa. Tenho fome e sede, mas vou resistir até cair. Muitos dos meus amigos já regressaram a Marrocos, mas eu quero ir para Espanha ou Portugal, porque em Marrocos estamos a passar fome", garantiu o jovem ao Correio da Manhã.

Mas os migrantes que entraram em Ceuta a nado não são apenas marroquinos. Há muitas centenas de outros países de África. É o caso de Mohamed Ndiaye, de 28 anos, que nasceu no Senegal e decidiu arriscar para conseguir melhores condições de vida. "Trabalhava na construção em Marrocos, mas pagavam muito mal. Quase não dava para comer. Decidi arriscar para tentar chegar a Espanha e ter uma vida melhor", referiu ao CM, momentos depois de dar uns toque na bola com outros migrantes, numa espécie de ‘meiinho’ junto à praia em Ceuta, onde ainda resistem mais de mil migrantes e onde ontem o Exército espanhol começou a fornecer alguma água, através de camiões-cisterna.

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Entre eles estão muitos jovens, alguns do Sudão, que no sábado de manhã estavam a ser forçados a ir para a fronteira de Marrocos por militares do Exército, fortemente armados. "Há muitos menores no meio destes migrantes. Muitos são do Sudão, que é um país em guerra, e que estão a tentar pedir asilo. Mas Espanha está a obrigá-los a ir para Marrocos, quando eles não conhecem ninguém nesse país", lamentou ao CM Mohamed Ramses, da associação Elin, que presta apoio a migrantes em Ceuta.

Dos 70 mil que entraram em Ceuta, já terão regressado a Marrocos cerca de 60 mil, segundo as autoridades espanholas. Restam cerca de 10 mil que continuam a resistir e a acreditar no sonho de chegar à Europa.

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