Terapeuta aconselhou filho do fundador da Mango a confrontar o pai num penhasco dias antes da morte do magnata
Informações reveladas após testemunho de assistente da terapeuta. Magnata da moda morreu após cair de uma altura superior a 300 pés, no exato caminho sugerido pela profissional para exercício psicanalítico.
Novos contornos dramáticos vieram a público sobre a investigação da morte do fundador da Mango, o magnata da moda Isak Andic, de 71 anos. O filho e herdeiro, Jonathan Andic, acusado de o ter empurrado para a morte, terá sido instruído pela terapeuta familiar a protagonizar um "confronto extremo", a decorrer num penhasco, poucos dias antes da tragédia.
De acordo com os elementos recolhidos pelas autoridades, noticiados esta quinta-feira pelo jornal The Sunday Times, o plano partiu da terapeuta Maria Julia Lüderwaldt. Num exercício psicanalítico, a profissional de saúde aconselhou Andic a colocar-se a si e ao pai numa "situação extrema", de modo a conseguir libertar-se da forte dependência emocional que nutria em relação ao progenitor. O objetivo teórico passava por levá-lo até a ao penhasco de uma montanha para expressar o conceito de "morte do pai".
As informações foram reveladas após o testemunho da assistente e tradutora da terapeuta. A mulher, uma cidadã britânica a residir em Barcelona, confessou à polícia que não conseguia dormir há mais de um ano devido ao peso do segredo. Isto porque foi ela quem ajudou a escolher e percorreu o local do incidente - o trilho Camí de les Feixades, em Montserrat - juntamente com o herdeiro da Mango a 7 de dezembro, exatamente uma semana antes de Isak Andic morrer após cair de uma altura superior a 300 pés no mesmo exato caminho.
Para sustentar o relato, a assistente de Maria Julia Lüderwaldt entregou aos inspetores o registo de mensagens de texto trocadas com a terapeuta logo após a morte do empresário vir a público, nas quais procurava confrontá-la e perceber a gravidade do que tinha sido ordenado.
Jonathan Andic, o filho mais velho do magnata da moda, e a única testemunha da queda, foi detido a 19 de maio por estar relacionado com a morte. Na sequência da detenção, anunciou a demissão do cargo de vice-presidente da Mango, para se dedicar à defesa judicial.
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