Terapeuta aconselhou filho do fundador da Mango a confrontar o pai num penhasco dias antes da morte do magnata

Informações reveladas após testemunho de assistente da terapeuta. Magnata da moda morreu após cair de uma altura superior a 300 pés, no exato caminho sugerido pela profissional para exercício psicanalítico.

24 de julho de 2026 às 19:04
Julia Lüderwaldt, a terapeuta da família Andic, à chegada ao Tribunal de Primeira Instância n.º 4 de Martorell, a 30 de junho de 2026, em Martorell, Barcelona, Catalunha (Espanha) Foto: Europa Press via AP
Jonathan Andic, filho do fundador da Mango, ao sair do Tribunal de Instrução n.º 5 de Martorell, a 19 de maio de 2026, em Martorell, Barcelona, Catalunha (Espanha). Os Mossos d'Esquadra detiveram Jonathan Andic, filho do fundador da Mango, Isak Andic, pelo falecimento do seu pai, ocorrido a 14 de dezembro de 2024, na sequência de uma queda numa ravina nas Grutas de Salnitre, em Collbató (Barcelona) Foto: Europa Press via AP
Isak Andic, o fundador da marca de moda espanhola Mango Foto: AP Photo/Thibault Camus

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Novos contornos dramáticos vieram a público sobre a investigação da morte do fundador da Mango, o magnata da moda Isak Andic, de 71 anos. O filho e herdeiro, Jonathan Andic, acusado de o ter empurrado para a morte, terá sido instruído pela terapeuta familiar a protagonizar um "confronto extremo", a decorrer num penhasco, poucos dias antes da tragédia.

De acordo com os elementos recolhidos pelas autoridades, noticiados esta quinta-feira pelo jornal The Sunday Times, o plano partiu da terapeuta Maria Julia Lüderwaldt. Num exercício psicanalítico, a profissional de saúde aconselhou Andic a colocar-se a si e ao pai numa "situação extrema", de modo a conseguir libertar-se da forte dependência emocional que nutria em relação ao progenitor. O objetivo teórico passava por levá-lo até a ao penhasco de uma montanha para expressar o conceito de "morte do pai".

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As informações foram reveladas após o testemunho da assistente e tradutora da terapeuta. A mulher, uma cidadã britânica a residir em Barcelona, confessou à polícia que não conseguia dormir há mais de um ano devido ao peso do segredo. Isto porque foi ela quem ajudou a escolher e percorreu o local do incidente - o trilho Camí de les Feixades, em Montserrat - juntamente com o herdeiro da Mango a 7 de dezembro, exatamente uma semana antes de Isak Andic morrer após cair de uma altura superior a 300 pés no mesmo exato caminho.

Para sustentar o relato, a assistente de Maria Julia Lüderwaldt entregou aos inspetores o registo de mensagens de texto trocadas com a terapeuta logo após a morte do empresário vir a público, nas quais procurava confrontá-la e perceber a gravidade do que tinha sido ordenado.

Jonathan Andic, o filho mais velho do magnata da moda, e a única testemunha da queda, foi detido a 19 de maio por estar relacionado com a morte. Na sequência da detenção, anunciou a demissão do cargo de vice-presidente da Mango, para se dedicar à defesa judicial.

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