Transbordamento de albufeira leva China a suspender operações de resgate no Tibete
Volume de água retida ultrapassa os dois milhões de metros cúbicos.
As autoridades chinesas suspenderam temporariamente esta sexta-feira parte das operações de resgate no Tibete, depois de uma albufeira formada na sequência das enxurradas que atingiram a fronteira com o Nepal ter começado a transbordar.
A emissora estatal chinesa CCTV informou que várias equipas de emergência se concentraram à entrada da localidade de Laojiang, situada a cerca de sete quilómetros da passagem fronteiriça de Gyirong, aguardando novas instruções perante o aumento do risco.
A albufeira, formada pela acumulação de lama e rochas que bloqueou um curso de água após a catástrofe, situa-se a mais de dez quilómetros da passagem fronteiriça e já começou a transbordar, segundo a estação.
Dados divulgados pela imprensa chinesa nas últimas horas indicam que o volume de água retida ultrapassa os dois milhões de metros cúbicos.
A acumulação situa-se a cerca de 2.950 metros de altitude, quase mil metros acima da passagem de Gyirong, pelo que as autoridades alertaram que uma descarga repentina poderá desencadear novas cheias ou deslizamentos de lama a jusante.
O risco obrigou à interrupção das operações, enquanto as equipas aguardam instruções e continuam a acompanhar a evolução da albufeira natural, cuja formação já tinha levado, na quinta-feira, à retirada preventiva de habitantes de localidades próximas.
A passagem de Gyirong, uma das ligações terrestres entre o Nepal e a região do Tibete, sob controlo chinês, ficou praticamente arrasada e coberta por lama e escombros, segundo imagens de câmaras de videovigilância divulgadas nas redes sociais, registando-se graves danos nos acessos, comunicações e outras infraestruturas.
As investigações apontam para o colapso de uma grande massa de gelo num glaciar nepalês, a uma altitude entre 5.200 e 5.500 metros, que arrastou rochas e outros materiais, transformando-se numa avalanche de lama que atingiu o posto fronteiriço.
No Nepal, a polícia elevou esta sexta-feira para 469 o número de mortos confirmados devido às enxurradas, enquanto as autoridades chinesas mantêm, por enquanto, o balanço de três mortos e 558 desaparecidos em Gyirong, entre os quais 260 estrangeiros.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse na quinta-feira que há três cidadãos portugueses desaparecidos no Nepal e no Tibete, um homem e duas mulheres.
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