Trump anuncia "princípio de acordo" sobre a Gronelândia
O presidente dos EUA tinha garantido no seu discurso em Davos que não iria usar a força para conquistar o território
Donald Trump anunciou esta quarta-feira à noite ter alcançado com o Secretário-Geral da NATO um “princípio de acordo” sobre a Gronelândia e garantiu que já não irá impor tarifas aos aliados europeus. Horas antes, o presidente dos EUA já tinha prometido que não iria usar a força para controlar aquele território dinamarquês mas exigira “negociações imediatas” para a sua “aquisição”.
Os termos do acordo que Trump alcançou com Mark Rutte à margem do Fórum de Davos, na Suíça, não foram imediatamente revelados. “Temos um princípio de acordo sobre a Gronelândia e toda a região do Ártico. Se tudo correr bem, esta será uma grande solução para os EUA e todos os países da NATO”, disse Trump, adiantando que as negociações, que envolvem a instalação do escudo antimíssil ‘Cúpula Dourada’ na Gronelândia, serão conduzidas pelo vice-presidente JD Vance, pelo Secretário de EstadoMarcoRubio, e pelo enviado especial Steve Witkoff.
Horas antes, no seu discurso noFórum Económico Mundial, Trump já tinha tranquilizado os aliados, garantindo que não iria recorrerà força para controlar a Gronelândia. “A única coisa que peço é um pedaço de gelo. Provavelmente não nos darão nada a não ser que eu decida usar força excessiva e aí, francamente, ninguém nos poderia parar. Mas não vou fazer isso, OK? Agora todos vão dizer ‘Ó, que bom!’. Esta é provavelmente a mais importante declaração que farei aqui, porque pensavam que eu ia usar a força. Não tenho de o fazer. Não quero usar a força. Não vou usar a força”, afirmara Trump perante centenas de líderes mundiais, bilionários e empresários. O Presidente norte-americano exigiu, no entanto, “negociações imediatas para a aquisição” do território e lançou um desafio misturado com ameaça aos parceiros da NATO: “Podem dizer que sim, e ficaremos muito agradecidos, ou podem dizer que não, e vamos lembrar-nos disso.”
Trump alegou ainda que a Gronelândia - à qual chamou várias vezes “Islândia” - “faz parte da América do Norte” e que a Dinamarca “não tem capacidade” para proteger aquele território. “Na Segunda Guerra Mundial, renderam-se à Alemanha em seis horas e teve de ser a América a proteger a Gronelândia. Foi uma estupidez tê-la devolvido”, afirmou, garantindo que tem “imenso respeito” pelo povo da Gronelândia e da Dinamarca mas que estes têm mostrado “ingratidão” pela ajuda dos EUA, acusação que estendeu aos parceiros europeus. “Se não fosse a América, vocês hoje estariam a falar alemão e talvez um pouco de japonês”, frisou, antes de repetir as habituais queixas de que a Europa está “irreconhecível”. “Adoro a Europa e quero vê-la bem, mas está a ir na direção errada”, disse Trump, apontando mais uma vez como motivos do declínio europeu a “imigração em massa descontrolada” e a aposta nas energias renováveis, que considerou “a maior fraude de sempre”.
Acordo comercial suspenso e 'bazuca' em cima da mesa
O acordo anunciado pelo presidente dos EUA apanhou de supresa os líderes europeus, que se preparavam para discutir hoje, emConselho Europeu extraordinários, as possíveis medidas de retaliação se Donald Trump cumprisse a ameaça de impor tarifas aduaneiras a oito países europeus a partir de 1 de fevereiro por causa do seu apoio à Gronelândia, isto depois de o Parlamento Europeu já ter aprovado ontem a suspensão do processo de ratificação do acordo comercial com os EUA. Em cima da mesa em Bruxelas iriam estar, não só a adoção de tarifas retaliatórias, mas também o recurso, pela primeira vez, à chamada ‘bazuca europeia’, o Instrumento Anti-Coerção especialmente criado para responder a ameaças económicas contra o espaço europeu (ver infografia). Opresidente do Conselho Europeu, AntónioCosta, avisou ontem que as ameaças de Trump constituem “um sério desafio à segurança, aos princípios e à prosperidade” da Europa.
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