Trump está a desmantelar as barreiras de proteção da democracia nos EUA, alertam antigos membros da CIA

Estilo de governação autoritário de Donald Trump preocupa ex-oficiais dos Serviços de Inteligência norte-americanos.

10 de agosto de 2026 às 19:20
Trump está a desmantelar as barreiras de proteção da democracia nos EUA, alertam antigos membros da CIA Foto: Direitos Reservados
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Antigos membros da CIA (Serviços de Inteligência norte-americanos) alertam que o presidente dos EUA, Donald Trump, tem vindo a deixar o país menos seguro, criticando o estilo de governação autoritário.

Desde que regressou à Casa Branca, decretando uma guerra contra o chamado "deep state" (expressão que remete para uma rede oculta dentro do governo) que acusa de restringir os seus poderes durante o primeiro mandato, Donald Trump tentou silenciar os críticos e exigiu lealdade àqueles que o rodeiam, avança o jornal Financial Times.

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Os autocratas têm "manuais relativamente comuns em termos de como capturam e dominam o poder", disse Paul Kolbe, um antigo chefe da CIA. "Isto são tudo coisas que rimam, para mim, com o que vemos acontecer nos EUA", acrescentou.

Mark Zaid, um advogado de segurança nacional que enfrenta uma batalha legal com Trump depois da Casa Branca revogar a sua credencial de segurança, alerta que o presidente vai continuar a tentar consolidar o poder. "As barreiras de proteção foram todas removidas", disse Zaid. "Penso que ainda não estamos perto sequer do pior a que vamos chegar", afirmou.

Kolbe está entre os mais de 400 antigos oficiais de segurança nacional e dos serviços de inteligência dos EUA que fazem parte do 'The Steady State', uma rede formada em 2016 em resposta ao aumento do autoritarismo no país. Zaid também trabalha com a organização. O grupo alerta que a erosão das instituições e o controlo sobre o poder executivo durante os mandatos de Trump ameaçam a democracia.

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Os membros do 'The Steady State' aumentaram durante o segundo mandato de Donald Trump, mas muitos mantêm o anonimato com medo de retaliações. "Há muitas boas razões para não dizer nada", disse Julia Curlee, antiga analista da CIA que pertence ao grupo. Julia realça que a população não tem noção da importância destas instituições que têm sido "esvaziadas e enfraquecidas".

Gail Helt, outra ex-analista, mostrou alarme perante aquilo que chamou de "culto de personalidade" à volta de Trump.

Um outro grupo formado por veteranos da inteligência, o Institute for the Study of States of Exception, está a preparar um relatório como os oficiais podem usar poderes de emergência para perturbar o ato eleitoral. "Queremos verificar o que achamos que são riscos ou não", disse Ed Bogan, antigo chefe de estação da CIA que fundou o instituto.

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Zaid disse que as revogações das credenciais de segurança de inimigos do Donald Trump a esta escala é algo que não se vê desde o 'Red Scare' ('Susto Vermelho' em português) da década de 50, onde as pessoas suspeitas de ligação ao comunismo eram afetadas.

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