Tsipras apela a apoio da Rússia
Executivo grego recusa prolongar atual programa de resgate da Troika.
Pergunta CM
Tsipras está a lutar de forma correta contra a austeridade?
Isolado na Europa, o novo governo grego apela a Moscovo como alternativa para implementar o programa de reformas antiausteridade prometido na campanha eleitoral. A viabilidade do apoio russo levou ontem o Executivo de Alexis Tsipras a anunciar que não aceita nenhum acordo com a União Europeia (UE) que mantenha o atual programa de resgate e a assegurar que "os depósitos nos bancos gregos estão garantidos".
Na quinta-feira, e após ter voltado de mãos vazias da ronda negocial pela Europa, o primeiro-ministro grego falou ao telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a crise económica, a necessidade de reforçar intercâmbios no turismo e na energia e o papel que a Grécia pode desempenhar como mediadora na UE para "alcançar a paz e a estabilidade na Ucrânia", anunciou o gabinete de Tsipras. Recorde-se que já na semana passada a Grécia travou a aplicação de novas sanções à Rússia.
Além dos laços históricos e culturais que unem os dois países, a Grécia depende em 60% do gás russo. A Rússia, por seu lado, já mostrou interesse na rede ferroviária grega e no Porto de Salónica, cujos processos de privatização impostos pela Troika foram travados pelo atual governo de esquerda.
Ontem, a agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) baixou o rating da Grécia de B para B- (lixo tóxico), alertando Atenas do prazo limitado para chegar a acordo com os credores e evocando a restrição de liquidez dos bancos helénicos.
A Europa admite alargar o atual programa de resgate à Grécia, mas o Executivo grego insiste em que seja aceite um "acordo ponte", até junho, antes de apresentar novas propostas concretas.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt