"Tudo neste caso é ilegal": Primeiro-ministro francês considera ilegal operação militar dos EUA
Lecornu diz que o regime de Nicolás Maduro, o ciclo eleitoral de 2024 e a operação militar dos EUA são ilegais.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, classificou esta terça-feira a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela como ilegal, enquanto o Presidente Emmanuel Macron afirmou não aprovar o método usado para prender Nicolás Maduro, após críticas à falta de condenação.
"Tudo neste caso é ilegal. O regime de Nicolás Maduro, o ciclo eleitoral de 2024, a operação militar dos EUA que viola a Carta das Nações Unidas", declarou Lecornu perante a Assembleia Nacional, apelando a uma "transição democrática" liderada por Edmundo González Urrutia, o líder da oposição que a França considera eleito presidente do país em 2024.
Segunda-feira, o Presidente francês condenou o "método utilizado" pelos Estados Unidos para prender Maduro, que "não é apoiado nem aprovado" pela França.
"Defendemos o direito internacional e a liberdade dos povos, declarou Macron, citado pela sua porta-voz, Maud Bregeon, durante uma conferência de imprensa.
O chefe de Estado francês afirmou, contudo, que Maduro era "um ditador" e que a sua saída era "uma boa notícia" para os venezuelanos.
"Confiscou a liberdade do seu povo e roubou as eleições de 2024", sublinhou Macron, acrescentando que "a França apoia a soberania popular e essa soberania popular foi expressa em 2024", referindo-se à eleição presidencial ganha, segundo Paris e parte da comunidade internacional, pelo candidato da oposição Edmundo González Urrutia, embora Maduro tenha reivindicado para si a vitória.
"No caso de uma transição, o vencedor de 2024 deverá desempenhar um papel central", afirmou Macron, segundo a sua porta-voz.
O Presidente francês tinha sido criticado, sobretudo pela esquerda, pela reação inicial, que não mencionou o método utilizado por Washington.
No sábado, após a captura do líder venezuelano durante uma operação militar norte-americana, o Presidente francês apelou simplesmente a uma transição "pacífica" e "democrática" na Venezuela, afirmando que o povo venezuelano só poderia "regozijar-se" por se "livrar" da "ditadura de Maduro".
Os Estados Unidos lançaram no sábado um ataque contra a Venezuela para capturar Maduro e a mulher e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Delcy Rodriguez, vice-presidente executiva de Maduro, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.
Na segunda-feira, Maduro e a mulher prestaram breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais e ambos declararam-se inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de março.
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