Ucrânia desaconselhou deslocações de ucranianos à Hungria
Medida surge depois da detenção de sete ucranianos numa crise entre os dois países sobre o bloqueio das entregas de petróleo russo.
A Ucrânia saconselhou esta sexta-feira os cidadãos nacionais a não viajarem para a Hungria após a detenção de sete ucranianos numa crise entre os dois países sobre o bloqueio das entregas de petróleo russo.
O Governo ucraniano recomendou hoje os cidadãos que se abstenham de viajar para a Hungria, dada a impossibilidade, declarou, de garantir a segurança face ao que considerou ações arbitrárias das autoridades húngaras.
Anteriormente, as autoridades fiscais húngaras confirmaram a abertura de uma investigação por branqueamento de capitais contra sete cidadãos ucranianos, incluindo um antigo general dos serviços de informações de Kiev.
O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto, disse à agência de notícias MTI, que é "perfeitamente natural" questionar se os fundos são provenientes da "máfia de guerra ucraniana".
Peter Szijjarto referiu que, desde janeiro, um total de 900 milhões de dólares e 420 milhões de euros "em dinheiro vivo" foram transportados pela Hungria, juntamente com 146 quilos de barras de ouro.
A Ucrânia descreveu as detenções como uma "tomada de reféns".
Paralelamente, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disse numa entrevista à rádio húngara que Budapeste iria suspender a circulação de mercadorias destinadas à Ucrânia até a Hungria receber a aprovação da Ucrânia sobre as entregas de petróleo.
Embora a Hungria seja membro da União Europeia e da Aliança Atlântica, tem reforçado os laços com Moscovo desde a invasão russa da Ucrânia em 2022.
As relações entre a Hungria e a Ucrânia estão a agravar-se na mesma altura em que Viktor Orbán faz campanha para a reeleição como chefe de Governo.
Orbán declarou que tenciona defender a minoria húngara na Ucrânia e, esta semana, disse que ia facilitar a libertação dos soldados ucraniano-húngaros na Rússia, uma medida que Kiev descreveu como uma manipulação "cínica" dos prisioneiros de guerra.
Orbán acusou também o Presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, de utilizar argumentos falaciosos para atrasar a retoma do fornecimento de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba, cujo troço que atravessa a Ucrânia foi danificado por um ataque aéreo russo em janeiro.
Na quinta-feira, Zelensky admitiu ter bloqueado o trânsito por razões políticas.
"Para ser honesto, não o vou restabelecer. Essa é a minha posição", declarou durante uma reunião com as autoridades governamentais.
Em retaliação, Budapeste bloqueou o empréstimo de 90 mil milhões de euros da União Europeia à Ucrânia e a adoção de um novo pacote de sanções contra a Rússia.
Viktor Orbán insistiu que não vai ceder às exigências de Kiev.
A crise é agravada pela recente subida dos preços do petróleo e do gás, verificada desde o início dos ataques israelitas e norte-americanos conto o Irão.
Os elevados preços da energia são um problema para a economia húngara, enquanto as sondagens de opinião sobre as próximas eleições legislativas são desfavoráveis a Orbán, após dezasseis anos no poder.
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