Venezuelanos pedem mediação dos EUA para conseguir melhores salários e eleições presidenciais

Centenas de trabalhadores, entre eles líderes sindicais e reformados, concentraram-se, esta quinta-feira, na Praça Alfredo Sadel (leste) de Caracas.

17 de abril de 2026 às 00:10
Venezuelanos pedem mediação dos EUA para conseguir melhores salários e eleições presidenciais Foto: Getty Images
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Centenas de trabalhadores, entre eles líderes sindicais e reformados, concentraram-se, esta quinta-feira, na Praça Alfredo Sadel (leste) de Caracas, para exigir melhores salários, liberdade para os presos políticos e eleições presidenciais na Venezuela.

Durante a concentração, que serviria de ponto de partida para uma marcha até à Embaixada dos EUA em Caracas, vários sindicalistas denunciaram ter informações de que alegados "infiltrados" tentariam sabotar os manifestantes e que a polícia tinha disposto uma forte operação para impedir chegassem àquela representação diplomática.

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Uma comissão de vários representantes sindicais dirigiu-se até à embaixada norte-americana onde entregou aos seguranças uma carta pedindo a intermediação dos EUA perante a reivindicação dos venezuelanos.

"Queremos um salário que nos represente como trabalhadores e como profissionais que somos. Já recorremos todas as instâncias competentes, mas não nos deram ouvidos. Há quase cinco anos que exigimos um salário digno, tal como previsto no artigo 91.º da Constituição que determina que todos os trabalhadores têm direito a um salário suficiente, equivalente ao custo do cabaz básico", disse uma manifestante à Lusa.

Lina Mantilla, dirigente sindical do Ministério de Terras e do Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural, explicou ainda que o salário mínimo oficial atual dos venezuelanos, sem os bónus e pago em bolívares, equivale a 0,25 dólares (0,21 euros) e que as pessoas têm de ter vários trabalhados para poder sobreviver.

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"Isso não é um salário. Também não queremos esmolas nem bónus. O cabaz básico de alimentos custa atualmente 677 dólares [575 euros] e o cabaz completo, que inclui transporte, vestuário e medicamentos ronda os 1.500 dólares [1.273 euros]", explicou.

Licenciada em administração, Lina Mantilla, disse ainda não ter medo de represálias, ou de vir a ser despedida porque segundo o artigo 68 da Constituição da Venezuela tem direito a protestar e a manifestar a sua inconformidade.

"Medo de ser presa? Não, porque depois do dia 3 [de janeiro, captura de Nicolás Maduro pelos EUA] isso acabou. Acabou tudo. Já não temos medo. Agora temos de sair a protestar, porque temos o direito de reclamar e de estar nas ruas até que nos paguem um salário digno. Este país tem tudo, petróleo, minerais, ouro, tudo o suficiente para pagar bem os trabalhadores", disse.

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Lina Mantilla explicou ainda que na Venezuela há um governo tutelado pelos EUA e que além de melhores salários os venezuelanos esperam a intermediação de Washington na libertação dos presos políticos e em eleições presidenciais antes de finalizar o ano.

Por outro lado, com uma panela usada nas mãos, Estela Romero, do Sindicado do Conselho Legislativo do Estado de Vargas, explicou estar a usar aquele utensilio como um reflexo de todas as cozinhas venezuelanas.

Também da política de subsídios da Presidente Interina da Venezuela, Delcy Rodríguez que empobreceu a classe trabalhadora venezuelana.

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"Um país como o nosso, com tanto recursos naturais, está a atravessar uma crise humanitária complexa, e ainda por cima, também nos tiram o dinheiro dos bolsos, nos obrigam a pagar 16% de IVA mais 3% de impostos sobre as grandes transações financeiras (...) como ir ao chinês comprar uma barra de sabão azul e pagar com uma nota de 5 dólares, e receber o troco em bolívares desvalorizados", disse.

Segundo esta sindicalista os EUA, que tutelam uma transição político-económica na Venezuela têm que saber a verdade do que acontece no país.

"Queremos uma política humanitária para a Venezuela, tutelada pelos EUA e com a participação plena dos trabalhadores", disse.

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O sindicalista Gerardo Ignácio Salas Núñez explicou à Lusa "existe um grande descontentamento a nível nacional, porque ninguém quer que estas pessoas [do anterior regime] continuem no poder".

"As pessoas querem uma mudança real, completa e por isso hoje estamos pedindo novas eleições.  Os Estados Unidos não reconhecem internacionalmente a Nicolás Maduro como presidente, e por isso é lógico que Delcy Rodríguez não seja (a sua) vice-presidente, é alguém que está a desempenhar determinadas funções e isso não se pode chamar de governo", disse.

Segundo Gerardo Ignácio Salas Núñez as empresas norte-americanas estão a ponto de realizar investimentos na Venezuela é preciso que no país haja um governo legítimo que lhes garanta os investimentos.

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