Von der Leyen considera que UE e Índia são dois gigantes a fazer história com acordo comercial
É esperado que acorde duplique as exportações de bens da UE para a Índia até 2032.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou, esta terça-feira, que a União Europeia (UE) e a Índia são "dois gigantes a fazer história" ao concluírem, após 18 anos, negociações para o maior acordo comercial de sempre.
"Conseguimo-lo: celebrámos o maior de todos os acordos comerciais e estamos a criar um mercado de dois mil milhões de pessoas. Esta é a história de dois gigantes - a segunda e a quarta maiores economias do mundo -, dois gigantes que escolhem a parceria num verdadeiro modelo em que os dois ganham", disse a líder do executivo comunitário, em declarações em Nova Deli no final da "histórica" 16.ª cimeira UE-Índia.
A UE e a Índia já comercializam mais de 180 mil milhões de euros em bens e serviços por ano, pelo que se espera que este acordo duplique as exportações de bens da UE para a Índia até 2032 ao eliminar ou reduzir as tarifas aduaneiras em 96,6% do valor das exportações de bens europeus para a Índia, numa poupança de quatro mil milhões de euros em direitos aduaneiros por ano para os exportadores europeus.
Nas suas declarações -- ao lado do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa --, Von der Leyen realçou a "mensagem forte de que a cooperação é a melhor resposta aos desafios globais", num contexto de tensões comerciais entre o bloco comunitário e os Estados Unidos, entretanto atenuadas.
Atualmente, mais de 6.000 empresas europeias estão presentes na Índia, responsáveis por 3,7 milhões de empregos, acreditando a presidente da Comissão Europeia que "muitas mais se juntarão".
Também esta terça-feira, a UE e a Índia lançaram a sua primeira parceria de segurança e defesa para cooperar em questões estratégicas como segurança marítima, ciberameaças, espaço, contraterrorismo e indústria da defesa.
Foram ainda dados passos sobre cooperação em tecnologias emergentes, inovação e investigação, incluindo contactos exploratórios para uma futura associação da Índia ao programa comunitário Horizonte Europa.
Ao nível comercial, o acordo reforça os laços económicos e políticos face às crescentes tensões geopolíticas e desafios económicos globais.
Os setores agrícolas europeus sensíveis também estarão protegidos, já que as tarifas da UE sobre produtos como carne de bovino, aves de capoeira, arroz e açúcar se mantêm em vigor.
Acresce que todas as importações indianas devem respeitar rigorosamente as normas da UE em matéria de saúde e segurança alimentar.
O acordo determina ainda compromissos de proteção ambiental, de combate às alterações climáticas e de proteção laboral.
Durante a presidência portuguesa do Conselho da UE, no primeiro semestre de 2021, a Índia e a UE concordaram em negociar um acordo comercial, outro de proteção de investimentos e um de indicações geográficas.
As negociações comerciais da UE-Índia arrancaram em 2007, mas estiveram bloqueadas por receios ambientais e agrícolas e foram retomadas em 2022, tendo sido esta terça-feira finalizadas.
A UE é o maior parceiro comercial da Índia e o segundo maior destino das exportações indianas, pelo que pretende reforçar tal posição devido à concorrência da China e dos Estados Unidos.
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