Wizz Air enfrenta problemas com combustível em Itália mas está otimista para próximas semanas

Companhia aérea de baixo-custo aumentou o número de voos na Europa este ano, nomeadamente em Itália, depois de ter reduzido no Médio Oriente em 2025, antes da guerra começar.

17 de abril de 2026 às 12:26
Wizz Air Foto: Getty Images
Partilhar

A companhia aérea 'low-cost' Wizz Air enfrentou problemas devido à escassez de querosene (combustível derivado do petróleo) em Itália, mas mantém-se otimista em relação às próximas semanas, afirmou esta sexta-feira o presidente executivo (CEO) da companhia, József Váradi.

"Houve problemas devido à falta de combustível em três aeroportos italianos: Veneza, Brindisi e Catânia. Tudo se resolveu no espaço de um dia e, em alguns casos, de algumas horas, sem ter de cancelar os voos", explicou József Váradi ao diário económico italiano Il Sole 24 Ore.

Pub

"Em nenhum outro país europeu, até ao momento, se enfrentou escassez de combustível", acrescentou.

Vários aeroportos italianos tinham avisado as companhias no início de abril de que ficariam sem combustível durante algumas horas, pedindo-lhes que chegassem com combustível suficiente para os voos de regresso.

O encerramento do Estreito de Ormuz, consequência da guerra no Médio Oriente, faz pairar o risco de escassez de querosene sobre a Europa, à medida que se aproxima a época das grandes partidas de verão.

Pub

Embora a Europa importe normalmente metade do seu querosene dos países do Golfo, as opiniões divergem quanto aos riscos de cancelamento de voos previstos entre o início de maio e o início de junho, caso o Estreito de Ormuz continue bloqueado.

"Observa-se uns aos outros para perceber até que ponto a situação pode ser grave. O querosene foi fornecido de forma adequada em toda a Europa, com um pequeno contratempo em Itália. Mas mesmo esse contratempo italiano não foi assim tão grave, porque durou pouco tempo e foi ultrapassado", sublinhou o presidente da Wizz Air.

"Por enquanto, a situação na Europa não é assim tão alarmante. Há problemas mais graves na Ásia do que na Europa", prosseguiu József Váradi, acrescentando que superada a crise, não será demasiado prejudicial.

Pub

Em caso de problema num aeroporto, a companhia prevê, em primeiro lugar, recorrer ao "'tankering'", ou seja, sobrecarregar o abastecimento de combustível logo na partida do avião para garantir que se possa prosseguir a viagem, antes de eventualmente reduzir-se a oferta nesse aeroporto, explicou József Váradi.

O grupo aumentou a capacidade na Europa este ano, nomeadamente em Itália, depois de a ter reduzido no Médio Oriente em 2025, antes da guerra.

"A procura é hesitante" na Europa para as próximas semanas, "as pessoas estão à espera de perceber o que vai acontecer. No que diz respeito à época alta de verão, por outro lado, estamos à frente" do ano passado, precisou József Váradi.

Pub

Na quinta-feira, o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou que a Europa tem "talvez mais seis semanas de combustível para aviões", alertando para possíveis cancelamentos de voos em breve se o abastecimento de petróleo continuar bloqueado.

Várias companhias aéreas estão a ajustar as operações perante o aumento do preço do combustível, como a KLM que, no próximo mês, irá operar menos 80 voos de ida e volta do aeroporto de Schipol, em Amesterdão.

Também o grupo Lufthansa anunciou o encerramento da filial regional CityLine devido ao aumento dos custos do querosene e aos encargos adicionais decorrentes de conflitos laborais, retirando da operação os 27 aviões da Lufthansa CityLine para reduzir as perdas desta companhia aérea deficitária.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar