Xi e Putin unidos contra "a lei da selva"
Líderes da China e da Rússia saúdam "melhor momento" das relações bilaterais e alertam contra o "bullying unilateral e as ações que visam reverter a História", numa indireta a Trump.
Xi Jinping e Vladimir Putin saudaram, na quarta-feira, a “parceria sem limites” entre a China e a Rússia como “uma força estabilizadora a nível global” e alertaram para o risco de um “regresso à lei da selva” promovido pelo “bullying unilateral”, numa referência clara aos Estados Unidos e ao seu presidente, Donald Trump, que na semana passada foi recebido em Pequim com as mesmas honras do presidente russo mas de forma muita menos calorosa.
As comparações entre as visitas de Trump e Putin, separadas por apenas quatro dias, foram, aliás, inevitáveis. Se as honrarias e momentos protocolares foram tirados a papel químico, o mesmo já não se pode dizer da relação pessoal entre os líderes, com Xi a mostrar-se muito mais próximo e cúmplice com Putin. Os dois líderes fizeram questão de referir várias vezes a “grande amizade” pessoal e a “confiança mútua” que une os dois países, cuja parceria estratégica sem limites, garantiram, “atravessa o melhor momento de sempre”, como mostram os mais de 40 acordo assinados durante a visita, que vão do comércio à energia, ciência, tecnologia e inteligência artificial.
"Devemos melhorar ainda mais a nossa coordenação estratégica", disse Xi
Xi e Putin mostraram ainda total sintonia no que diz respeito à analise da situação internacional, com o presidente chinês a alertar para o momento delicado de “turbulência e transformação” e para as “correntes hegemónicas” que arriscam fazer regressar a “lei da selva”, frisando que a China e a Rússia se opõem firmemente a “todos os atos de bullying unilateral e ações que visam reverter a História”. Xi Jinping apelou ainda a um “cessar-fogo urgente” no Médio Oriente, considerando “desaconselhável” o recomeço das hostilidades constantemente ameaçado por Trump.
Irão ameaça atacar "para lá do Médio Oriente"
O regime de Teerão ameaçou esta quarta-feira "alargar a guerra para lá do Médio Oriente" se os Estados Unidos e Israel retomarem os ataques contra o país. "Iremos desferir golpes em locais que os nossos inimigos nem imaginam", ameaçou um porta-voz da Guarda Revolucionária.
Trump aumenta pressão
Um dia depois de ter dito que estava disposto a esperar até ao início da próxima semana por um acordo, Donald Trump voltou esta quarta-feira a aumentar a pressão sobre Teerão, ameaçando com "um grande ataque" se o Irão recusar fazer concessões nas negociações.
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