Zapatero garante que diálogo acabou

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, assegurou ontem que o processo de diálogo com a ETA “chegou ao fim”, mas afirmou continuar empenhado, como até aqui, em pôr fim à violência terrorista no país. “Odeio tanto a violência que estou disposto a empenhar o que for necessário para que em Espanha não haja bombas”, afirmou.

07 de janeiro de 2007 às 00:00
Zapatero garante que diálogo acabou Foto: Juan Herrero, Epa
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Em conversa informal com jornalistas espanhóis, Zapatero quis tornar claro que, após o atentado do passado dia 30 de Dezembro, em Madrid, não há condições para continuar o processo de paz no País Basco, pois estava fundado no diálogo e não na intimidação.

O chefe do governo frisou, no entanto, que “não há nada que permita dizer que houve erros” de avaliação da ETA após a declaração da “trégua definitiva”, em Março de 2006. Estas palavras contradizem as proferidas sexta-feira por José Blanco, secretário para a Organização e Coordenação do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Blanco considerou “indubitável” que as informações disponibilizadas ao governo socialista “não davam conta da vontade efectiva da ETA”. “Por isso é necessário reconhecer que houve problemas de informação”, afirmou, propondo uma “análise dos acontecimentos para evitar novos erros no futuro”.

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Zapatero recusou aceitar que o governo esteja desacreditado e afirmou que, apesar da ruptura do diálogo, vai manter o mesmo empenho em acabar com a violência terrorista.

Entretanto, num novo sinal das renovadas tensões no País Basco, milhares de pessoas que tentavam realizar uma manifestação proibida de apoio à ETA, em San Sebastian, foram dispersadas à força pela Polícia basca. Impedidos de entrar no velódromo de Anoeta, palco previsto do protesto – destinado a apelar à amnistia para os presos etarras – os manifestantes tentaram forçar o cordão policial, originando confrontos durante os quais foram incendiados contentores do lixo e automóveis.

RESGATADA SEGUNDA VÍTIMA

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As equipas de resgate conseguiram ontem recuperar o cadáver do equatoriano de 19 anos, Diego Armando Estacio, a segunda vítima do atentado de dia 30 no Aeroporto de Barajas, Madrid. O corpo tinha sido localizado na noite de quinta-feira, mas foram necessárias 40 horas de trabalhos para o retirar dos destroços do seu carro, esmagado pelos escombros do parque de estacionamento. Diego Estacio e o seu compatriota Carlos Alonso Palate, cujo corpo foi resgatado quarta-feira, foram as primeiras vítimas mortais da ETA desde 2003.

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