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Correio da Manhã

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158 sem-abrigo mortos este ano

A cada dois dias, um sem-abrigo é assassinado no Brasil. A denúncia desta matança silenciosa foi feita à presidente Dilma Rousseff pelo Movimento Nacional da População de Rua, que alega que, na maioria dos casos, estes crimes visam "limpar" as ruas.
26 de Dezembro de 2011 às 01:00
Forças policiais podem estar por detrás de algumas das mortes
Forças policiais podem estar por detrás de algumas das mortes FOTO: Nacho Doce/Reuters

"É um extermínio. Um processo de higienização das cidades, uma limpeza humana. Muitas dessas pessoas foram mortas enquanto dormiam", denunciou o coordenador do movimento, Anderson Miranda, revelando que, só de Janeiro a meados de Novembro, foram assassinados pelo menos 158 sem--abrigo em todo o Brasil. Isto segundo dados recolhidos junto das autoridades, mas que ficam muito aquém da realidade.

Miranda, segundo o qual há 50 mil sem-abrigo a viver nas ruas do Brasil, 20 mil dos quais só em São Paulo, receia que a matança se intensifique com a proximidade do Mundial de Futebol de 2014, que decorrerá no país. Ele teme que o evento faça convergir para as cidades onde ocorrerão jogos ainda mais sem--abrigo e que haja uma reacção sangrenta daqueles que querem "limpar" essas cidades à força.

O Movimento adianta ainda que a maioria dos sem-abrigo executados este ano não teve qualquer hipótese de defesa. Homens e mulheres foram friamente abatidos de madrugada, enquanto dormiam, com tiros disparados à queima-roupa, pauladas, marretadas e até queimados vivos. Em vários casos, há denúncias de que os assassinos fazem parte de forças de segurança, mas ninguém faz caso.

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