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Correio da Manhã

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2013 contabiliza maior número de novos refugiados em 20 anos

Foi hoje lançado o apelo global humanitário para 2014. (Atualizada às 13h59)
16 de Dezembro de 2013 às 15:15
António Guterres, Alto-comissário das Nações Unidas
António Guterres, Alto-comissário das Nações Unidas FOTO: REUTERS/Majed Jaber

O Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, disse esta segunda-feira, no lançamento do apelo global humanitário para 2014, que o ano de 2013 conheceu o maior número de novos refugiados em 20 anos.

"Em 2013, mais de dois milhões de pessoas deixaram seu país por causa de um conflito, é o maior número de novos refugiados em quase 20 anos", disse o português António Guterres.

A maioria dos novos refugiados provém de Síria, onde o conflito provocou "a maior deslocação de pessoas desde o genocídio ruandês e é o mais perigoso para a paz e a segurança mundial desde a II Guerra Mundial", de acordo com o responsável.

Atualmente, 2,3 milhões de refugiados sírios foram registados na região, entre os quais 1,7 milhões chegaram em 2013, mas as estimativas indicam que o número pode ultrapassar os 4,1 milhões no final de 2014.

Os refugiados sírios "não tinham por onde ir sem a generosidade dos países vizinhos", declarou Guterres, sublinhando as consequências dramáticas na sociedade, na demografia e na economia destes países, os quais têm cada vez mais dificuldades em gerir o fluxo de refugiados.

"Eles precisam da solidariedade massiva da comunidade internacional, solidariedade em apoio financeiro, humanitário estrutural, solidariedade na repartição das consequências", acrescentou.

ONU PEDE 12,9 MIL MILHÕES DE DÓLARES PARA OPERAÇÕES HUMANITÁRIAS (13h59)

A ONU pediu, esta segunda-feira, 12,9 mil milhões de dólares (9,3 mil milhões de euros) para operações humanitárias em 2014, que vão abranger 52 milhões de pessoas, o valor mais alto alguma vez pedido pela organização.

As operações previstas para o próximo ano abrangem 17 países, sendo a maior a que visa a Síria e os cinco países vizinhos – 6,5 mil milhões de dólares (4,7 mil milhões de euros), mais de metade do total –, anunciou hoje em Genebra a secretária-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Valerie Amos.

As outras operações humanitárias vão ser realizadas no Iémen, Sudão, Sudão do Sul, Afeganistão, República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Filipinas, Somália, Palestina, Birmânia e Haiti.

"As crises humanitárias são cada vez mais complexas, combinando desastres naturais e conflitos. A complexidade e amplitude do nosso trabalho aumentam a cada ano", disse Amos, numa conferência de imprensa com responsáveis de várias agências das Nações Unidas.

Depois da Síria, a crise que mais fundos exige é a do Sudão do Sul, onde a ONU precisa de 1,1 mil milhões de dólares (798 milhões de euros) para dar assistência a mais de três milhões de pessoas.

No Sudão, a ONU prevê ajudar perto de seis milhões de pessoas com 995 milhões de dólares (722 milhões de euros) e, na Somália, 2 milhões de pessoas com 928 milhões de dólares (673 milhões de euros).

ONU APELA À CALMA APÓS NOITE DE COMBATES (10h08)

A representante das Nações Unidas no Sudão do Sul apelou, esta segunda-feira, à calma após combates durante a noite em vários bairros da capital, Juba, indicando estar em contacto com os principais líderes políticos do país.

"Como Representante Especial do Secretário-geral, apelo a todas as partes no conflito que cessem as hostilidades imediatamente e que exerçam contenção. Tenho estado em contacto regular com os principais líderes, incluindo aos mais altos níveis, para apelar à calma", informou Hilde Johnson, em comunicado.

Fortes combates deflagraram durante a noite em Juba, numa altura em que se agravam as tensões políticas no país, independente há apenas dois anos.

Diplomatas e fontes das forças de segurança dizem que os combates terão começado num quartel militar perto do centro da cidade pouco antes da meia-noite e envolveram o uso de metralhadoras pesadas e morteiros. Confrontos esporádicos foram-se repetindo ao longo da noite e a calma só foi reposta durante a manhã de hoje.

O Sudão do Sul conquistou a independência em 2011, quando em referendo a população votou esmagadoramente pela separação do norte e pela criação de uma nova nação.

Mas as tensões políticas têm estado acesas nas últimas semanas e já no início do mês dirigentes do partido no Governo, o Movimento de Libertação do Povo do Sudão (SPLM), acusaram o Presidente, Salva Kiir, de comportamento "ditatorial".

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