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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Associação promove apoio online a angolanas abusadas sexualmente

Página recebe várias mensagens. As mais marcantes vêm de homens que afirmam ter conseguido passar três meses sem violar uma criança.

25 de setembro de 2019 às 17:00

A Associação Contra Crime Sexual (CCS), uma página na internet com mais 150 mil seguidores, 90% dos quais de Angola, tem sido a opção para o desabafo, pedido de socorro de centenas de jovens que sofrem abusos sexuais, disse a promotora.

A página foi criada por Jacqueline Baptista, uma brasileira a viver há mais de 20 anos em Lisboa, Portugal, que esta quarta-feira está em Luanda para partilhar a sua experiência numa conferência, organizada pelo Instituto para a Cidadania Mosaiko, sobre o Papel dos Sistemas de Justiça no Combate ao Abuso Sexual.

Em declarações à agência Lusa, Jacqueline Baptista contou que criou a página na Internet para as suas amigas, mas atualmente tem mais de 150 mil seguidores, na sua maioria angolanos.

Segundo a ativista, com o seu trabalho, conheceu "o lado mais profundo" dos angolanos, que considerou um povo "com fome de educação emocional, com fome de querer ser melhor, ter paz, ter amor, crescer por dentro e não só por fora".

"E a partir daí eu dediquei-me a esta causa, estudei muito, fiz uma pesquisa imensa", disse.

Jacqueline Baptista frisou que começaram a seguir a página, pessoas com problemas sexuais, entre os quais situações de abuso, que passaram a ser debatidos.

"De repente comecei a ter mensagem também de homens, a dizer que antes de lerem a minha página não tinham noção do problema que causavam quando forçavam sexo com uma pessoa e, que desde que leram a minha página, nunca mais forçaram sexo com ninguém", contou.

A ativista relatou ainda que, entre as centenas de mensagens que recebeu, recorda-se de casos contados por homens angolanos, "a dizerem que já tinha [passado] três meses [desde] que não violava nenhuma criança", depois de ler a página. Dantes "violava pelo menos uma (criança) por semana".

"Era o apetite sexual dele, ele chegou a me dizer isso", frisou a ativista que veio a Angola falar na conferência sobre "O Acompanhamento das Vítimas de Abuso Sexual".

No encontro, irá abordar "as consequências do abuso sexual" e o modo como "afeta a vítima, da parte psiquiátrica médica, como o cérebro modifica depois de um estupro", explicou.

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