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Correio da Manhã

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Brasil admite "prejuízo muito grande" para o turismo com notícias sobre incêndios na Amazónia

Presidente do Instituto Brasileiro de Turismo espera aproveitar o interesse mundial pela região para atrair mais turistas à floresta.
Lusa 9 de Outubro de 2019 às 12:10
Amazónia fustigada pelos incêndios
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia fustigada pelos incêndios
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia fustigada pelos incêndios
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia consumida pelas chamas
Amazónia consumida pelas chamas
O presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) admitiu esta quarta-feira que o setor foi afetado após as notícias sobre incêndios na Amazónia, mas espera aproveitar o interesse mundial pela região para atrair mais turistas à floresta.

A forte repercussão internacional negativa dos incêndios na Amazônia causaram um prejuízo imediato ainda incalculável para o turismo brasileiro porque "a imagem do Brasil foi pulverizada desnecessariamente", admitiu Gilson Machado Neto.

"Houve um marketing negativo? Sim. Houve cancelamentos de passagens? Sim. O prejuízo foi muito grande e afetou a imagem do Brasil que foi pulverizada lá fora de forma superlativa e desnecessariamente", avaliou Machado Neto, em entrevista à Lusa, à margem da maior feira de turismo da América Latina, a FIT, que decorre esta semana em Buenos Aires.

"Tivemos um impacto em torno de 15% dos voos para a Amazónia, de acordo com a companhia American Airlines", a única que voa dos Estados Unidos para Manaus, na Amazónia, exemplificou Machado Neto, calculando um impacto ainda maior entre os países europeus: "Da Europa, eu não tenho os números ainda, mas o impacto foi maior. Tivemos impacto, sim. Principalmente da França. Mas o número exato eu não sei".

No caso francês, Gilson Machado Neto atribui ao seu Presidente, Emmanuel Mácron, a maior culpa pela "pulverização da imagem do Brasil" a partir de uma foto falsa.

"Macron publicou uma foto tirada na Índia em 1989 de um fotógrafo que morreu em 2003. Com isso, disparou a reprodução de uma 'fake news' que foi seguida por outras celebridades", acusa.

Em agosto, o presidente francês usou uma imagem do antigo fotógrafo da National Geographic, Loren McIntyre, falecido há 16 anos, como uma foto atual do fogo a arder na Floresta Amazónica. A foto foi reproduzida por outras celebridades como Leonardo DiCaprio.

"Toda a divulgação negativa começou com Macron", apontou Machado Neto, recordando que, ao contrário das notícias e das fotos, "a Amazónia não está a arder em fogo".

"Macron deve ter feito isso para desviar a atenção interna. Como ele está mal politicamente, precisa encontrar um novo foco", justificou.

"Houve focos de incêndio? Houve, mas como todos os anos. A Amazónia não pegou fogo como disseram. Inclusive, neste ano, tivemos 60% a menos de incêndios na Amazónia, segundo documentos da NASA", garante, mostrando o ecrã do seu telemóvel com imagens de 2019 em comparação com as de 2018 que disse serem da agência espacial norte-americana. Nas imagens, a quantidade de focos neste ano aparece visivelmente menor do que as do ano passado.

"O que pegou fogo foi o Cerrado", uma região vizinha. "Não é a Amazónia em si. O capim nativo do Cerrado pega fogo naturalmente na época de seca", argumentou Machado Neto.

Esta tem sido a posição do governo brasileiro sobre o tema. Em setembro, no discurso na cerimónia de abertura da Adventure Travel World Summit (ATWS), em Gotemburgo (Suécia), Gilson Machado Neto insistiu que a Amazónia estava "intacta".

"Nessa que é a maior feira de ecoturismo no mundo, falei para 800 dos maiores 'players' de ecoturismo do mundo. Eles pensavam que o Brasil tinha pegado fogo, que São Paulo estava sem receber voos de tanto fumo. E é isso o que vou fazer a partir de agora: ir às feiras e convidar as pessoas a conhecerem a Amazónia", indica.

O presidente da Embratur quer aproveitar o repentino interesse do mundo pela floresta para atrair turistas e para convencer formadores de opinião.

"Vamos fazer ações de promoção da Amazónia. Levaremos os jornalistas à região para mostrar a verdade: a Amazônia está preservada como nunca antes e o Brasil é o único país do mundo que tem 61% das suas reservas totalmente intocadas", reforça.

"Em cada bar e em cada esquina do mundo, o assunto é a Amazónia. Então, eu vou aguçar a curiosidade das pessoas para que venham conhecer a Amazónia. Quem vier, verá que não aconteceu nada do que a grande imprensa diz", prometeu.

"Eu acredito que, em seis meses, reverteremos essa imagem negativa porque muita gente agora está a procurar saber sobre a Amazónia", previu. "Vou fazer desse limão uma limonada".

Nos nove primeiros meses do ano, o número de incêndios na Amazónia ficou 42,1% acima dos primeiros nove meses do ano passado, mas abaixo dos primeiros nove meses de 2017, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O mês alarmante foi agosto passado, o pior da década, quando 30.901 focos de incêndio foram registados, um valor que triplicou a quantidade de agosto de 2018 ao combinar seca, altas temperaturas e desmatamentos.

Apesar da queda de 19,6% no número de incêndios na Amazónia em setembro, outros ecosistemas brasileiros tiveram mais focos de incêndio como o Cerrado e a Mata Atlântica cujo aumento foi praticamente o dobro.

Mesmo com menos incêndios na Amazónia em setembro, o desmatamento aumentou. A região perdeu 1.173,1 km quadrados de floresta, uma área 58,6 % superior aos 739,4 Km quadrados perdidos setembro do ano passado.
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