É provável que o plano seja contestado por grupos industriais e estados de tendência Republicana.
O Governo norte-americano propôs novos limites para as emissões de gases de efeito estufa de centrais a carvão e gás, o seu esforço mais ambicioso até agora para combater poluição que contribui diretamente para o aquecimento global.
Uma regulamentação a ser divulgada esta quinta-feira pela Agência de Proteção Ambiental norte-americana (EPA, na sigla em inglês) pode forçar as centrais a capturar as emissões usando tecnologia disponível, mas que não é amplamente utilizada nos Estados Unidos (EUA).
O regulamento proposto marcaria a primeira vez que o Governo federal restringe as emissões de dióxido de carbono das centrais existentes, que geram cerca de 25% da poluição de gases de efeito estufa nos EUA, apenas atrás do setor dos transportes.
A regra também se aplicaria a futuras centrais elétricas e evitaria até 617 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono até 2042, o equivalente a emissões anuais de 137 milhões de veículos de passageiros, disse a EPA.
A larga maioria das centrais a carvão - juntamente com grandes centrais a gás - teriam que cortar ou capturar quase todas as suas emissões de dióxido de carbono até 2038, segundo a EPA.
As centrais que não puderem atender a estes novos padrões seriam forçadas a encerrar.
É provável que o plano seja contestado por grupos industriais e estados de tendência Republicana, que acusaram o Governo Democrata de exagerar nas regulamentações ambientais e alertam para uma crise de confiança no setor elétrico.
O carvão gera cerca de 20% da eletricidade dos EUA, abaixo dos cerca de 45% em 2010. O gás natural gera cerca de 40%, à frente das energias nuclear e de renováveis, como eólica, solar e hidroelétrica.
Num encontro com jornalistas na quarta-feira, o administrador da EPA, Michael Regan, defendeu que a agência "está a cumprir a sua missão de reduzir a poluição nociva que ameaça a saúde e o bem-estar das pessoas", acrescentando que a proposta "baseia-se em tecnologias comprovadas e prontamente disponíveis para limitar a poluição por carbono" e em práticas da indústria já utilizadas.
Tom Kuhn, presidente do Edison Electric Institute, que representa empresas elétricas de propriedade de investidores norte-americanos, disse que o grupo avaliará se a proposta da EPA está alinhada com o seu compromisso de fornecer energia limpa e fiável.
As emissões de carbono do setor de energia dos EUA estão no mesmo nível de 1984, enquanto o uso de eletricidade aumentou 73% desde então, disse Kuhn.
A regra da EPA não exigiria o uso de equipamentos para capturar e armazenar emissões de carbono -- uma tecnologia cara e ainda em desenvolvimento -- mas, em vez disso, estabeleceria limites para a poluição de dióxido de carbono que os operadores da central teriam de cumprir.
Algumas centrais de gás natural poderiam começar a misturar o gás com outra fonte de combustível, como o hidrogénio, que não emite carbono, mas as ações específicas seriam deixadas à indústria.
Ainda assim, espera-se que o regulamento leve a um maior uso de equipamentos de captura de carbono, uma tecnologia que a EPA disse ter "demonstrado adequadamente" controlar a poluição.
Mais recentemente, a indústria de energia dos EUA ultrapassou as metas de emissões estabelecidas pelo Governo de Barack Obama no seu Plano de Energia Limpa, embora o plano tenha sido bloqueado pelos tribunais e nunca implementado.
Cerca de 60% da eletricidade gerada nos EUA no ano passado veio da queima de combustíveis fósseis nas 3.400 centrais movidas a carvão e gás do país, de acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA.
"Estas regras são importantes", disse David Doniger, diretor estratégico sénior do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais para clima e energias limpas.
As regras das centrais são cruciais para cumprir as metas do Presidente Joe Biden - que tem na luta contra o aquecimento global uma prioridade máxima - de cortar as emissões de gases de efeito estufa pela metade até 2030 e eliminar as emissões de carbono da rede elétrica até 2035, acrescentou.
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