EUA vão retomar ajuda militar e partilha de informações. Acordo de minerais volta a estar em cima da mesa.
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A Ucrânia aceitou, na terça-feira, um cessar-fogo imediato de 30 dias proposto pelos EUA para permitir o início de negociações formais para acabar com a guerra. “A bola está agora do lado da Rússia”, afirmou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, após uma reunião “construtiva” que durou mais de nove horas em Jeddah, na Arábia Saudita.
A proposta norte-americana prevê a cessação total das hostilidades em toda a linha da frente e também no mar Negro, indo mais além da proposta trazida pela delegação ucraniana, que mencionava apenas uma trégua “no ar e no mar”.
“A Ucrânia aceitou esta proposta. Consideramos que é positiva e estamos prontos para a adotar”, afirmou o Presidente Volodymyr Zelensky, que estava em Jeddah, mas não participou na reunião. “A Ucrânia demonstrou mais uma vez que está preparada para a paz. Agora a Rússia deve mostrar que está preparada para acabar com a guerra. É a hora da verdade”, sublinhou, adiantando que “cabe aos EUA convencer Putin”.
Marco Rubio adiantou que a proposta de cessar-fogo vai ser agora apresentada à Rússia. “Cabe-lhes a eles dizerem sim ou não. Espero que digam sim. Se o fizerem, será um grande avanço. Se disserem que não, então ficaremos a saber quem é o obstáculo à paz”, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana.
Em Washington, o Presidente Donald Trump saudou o acordo alcançado em Jeddah e anunciou que vai falar com Putin “esta semana”. “São precisos dois para dançar o tango”, lembrou o Presidente dos EUA, sublinhando que espera poder anunciar um acordo de cessar-fogo total “nos próximos dias”.
Os EUA e a Ucrânia saudaram o teor “construtivo” das negociações, afirmando que foram adotadas “propostas e medidas concretas para a paz”. “Como resultado deste desfecho positivo, o Presidente Trump decidiu levantar a suspensão da ajuda militar e da partilha de informações de segurança com a Ucrânia”, anunciou Rubio, indicando ainda que os dois lados concordaram também retomar os contactos para a assinatura do acordo de minerais, que ficou em suspenso após a discussão entre Trump e Zelensky na Casa Branca.
Kiev lança maior ataque contra Moscovo
As forças ucranianas lançaram na madrugada de terça-feira o maior ataque com drones contra Moscovo desde o início da guerra, numa aparente demonstração de força antes das negociações com os EUA na Arábia Saudita.
As autoridades russas dizem que foram abatidos pelo menos 343 drones sobre o seu território, 91 dos quais na região metropolitana da capital. Vários edifícios residenciais e infraestruturas civis foram atingidos, incluindo uma fábrica de processamento de carnes, causando a morte de três funcionários. Outras 17 pessoas ficaram feridas nos ataques, que obrigaram ao encerramento por várias horas dos quatro aeroportos de Moscovo, levando ao desvio ou cancelamento de dezenas de voos. O Estado-Maior ucraniano diz ter alvejado “instalações petrolíferas” nas regiões de Moscovo e Oryol.
Com este ataque, o Governo ucraniano parece querer mostrar que mantém intacta a capacidade ofensiva apesar das recentes dificuldades no campo de batalha e da suspensão da partilha de informações pelos EUA, numa clara demonstração de força que visou coincidir com as importantes negociações que decorreram na terça-feira, em Jeddah, na Arábia Saudita.
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