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45 corpos descobertos num hospital

À medida que vão avançando no terreno, as equipas de resgate vão dando conta de forma cada vez mais exacta da dimensão da tragédia que se abateu sobre Nova Orleães em consequência da passagem do furacão ‘Katrina’ pelo sul dos EUA. Segunda-feira, ficou a saber-se que foram descobertos os corpos de 45 pessoas num hospital da zona baixa da cidade, alagada com a subida do nível da água devido às rupturas dos diques que protegiam a capital do Estado de Louisiana.
13 de Setembro de 2005 às 16:02
45 corpos descobertos num hospital
45 corpos descobertos num hospital FOTO: Reuters
Fontes do Departamento de Saúde deste Estado precisaram que a descoberta foi feita domingo, no Centro Médico Memorial, que havia sido evacuado após a passagem do furacão. A maioria dos cadáveres são de pacientes que se encontravam internados no hospital que não resistiram à espera para que os fossem salvar. Com mais estas 45 vítimas confirmadas, o balanço provisório da tragédia já ultrapassou o meio milhar de mortos, 279 dos quais no Estado de Louisiana, 218 outros no Mississippi e sete na Florida.
Impressionantes têm sido também as revelações feitas por operadoras do 911 (o equivalente norte-americano ao número 112 das emergências em Portugal). Segundo afirmaram, foram recebidas imensas chamadas telefónicas de pessoas em pânico com a subida das águas que não puderam ser salvas, porque não havia ninguém para as ir resgatar dos locais onde ficaram presas. Mães com bebés nos braços e uma senhora com uma criança paralisada numa cadeira de rodas foram vítimas da incapacidade das autoridades para dar resposta a todos os pedidos.
Entretanto, as repercussões políticas causadas pela falta de resposta adequada das autoridades às vítimas do furacão continuam a fazer-se sentir. O número de críticos à forma como a Administração do presidente norte-americano, George W. Bush, lidou com a crise continuam a fazer-se sentir, o que já o levou a visitar por três vezes as zonas afectadas pela tempestade. Segundo uma sondagem realizada pela empresa Gallup entre os dias 8 e 11 de Setembro para a estação de televisão CNN e para o jornal “USA Today”, 54% dos inquiridos discorda da forma como a crise foi gerida, contra 43% que apoiam a sua gestão.
Apesar das reparações efectuadas nos diques danificados pela passagem do “Katrina” já terem permitido baixar o nível das águas em muitas áreas que se encontravam submersas, cerca de 40% da cidade ainda se encontra inundada. Neste momento, uma das grandes preocupações das autoridades é o eventual aparecimento de doenças, daí a evacuação forçada de todos os habitantes. Equipas médicas especializadas foram já enviadas para o terreno para tentar detectar evidências de epidemias.
Até ao momento, nada de grave foi detectado, mas a contaminação das águas é enorme e o número de mosquitos disparou nas zonas mais afectadas. “Ainda não detectámos nada de inesperado, mas há algumas doenças que parecem estar a ocorrer em grande número”, referiu um dos médicos que integram estas equipas médicas, acrescentando que as situações mais comuns têm sido problemas intestinais, disenterias e diarreias, causados por água contaminada e infecções na pele. Entretanto, para limitar o aparecimento de mosquitos e moscas, já tiveram início operações de desinfecção.
BUSH FALA AO PAÍS
Sob o fogo cruzado dos seus críticos, o presidente George W. Bush vai falar ao país na próxima quinta-feira a partir do Estado de Louisiana, o mais afectado pela passagem do furacão “Katrina”, no passado dia 29 de Agosto. O anúncio foi feito esta terça-feira pelo porta-voz da Casa Branca. “O Presidente vai falar ao povo americano sobre a recuperação e o longo processo de reconstrução”, revelou Scott McClellan aos jornalistas.
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