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Correio da Manhã

Mundo
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A 50 anos da extinção

Quando as crianças de hoje forem adultos de 50 anos poderão habitar um Mundo onde não existem outros primatas, os parentes mais próximos do Homem. O alerta parte da agência das Nações Unidas para a Protecção do Ambiente, que ontem divulgou, em Londres, o Atlas Mundial dos Grandes Símios.
2 de Setembro de 2005 às 00:00
 São criaturas autoconscientes, com comportamentos culturais e políticos. São capazes de comunicar. São cada vez menos
São criaturas autoconscientes, com comportamentos culturais e políticos. São capazes de comunicar. São cada vez menos FOTO: d.r.
Tal como em relação ao Homem, a pobreza é o principal inimigo das seis espécies de grandes símios: Gorila do Oriente, Gorila do Ocidente, Chimpanzé, Chimpanzé pigmeu (Bonobo), Orangotango de Sumatra e Orangotango do Bornéu.
Os ‘primos’ remotos do Homem habitam 23 países entre os mais pobres do Mundo. Daí o apelo da ONU: “Para que estas espécies sobrevivam é necessário algum tipo de intervenção da comunidade internacional.”
O número estimado de gorilas, chimpanzés e orangotangos não excede actualmente 350 mil. Há 20 mil seres humanos no Mundo para cada um deles. Mantendo-se a tendência actual, em 2032 toda a zona habitada pelos orangotangos terá sido ocupada por actividades humanas. Os gorilas terão perdido 90 por cento da sua casa, os chimpanzés 92 por cento e os bonobos 96 por cento. A destruição de ‘habitats’ é a via mais segura para a extinção.
Em 2050 poderão existir apenas 250 orangotangos de Sumatra. Neste caso, o tsunami que assolou o Sudeste asiático em Dezembro passado acelerou o ritmo da destruição.
O presidente da agência das Nações Unidas para a Protecção do Ambiente, Klaus Toepfer, disse esperar que o Atlas e a cimeira inter-governamental que tem lugar em Kinshasa, na República Democrática do Congo, a partir da próxima segunda-feira, contribuam para identificar prioridades de conservação e gerar investimento nos países onde ainda vivem grandes símios.
Entre as ameaças que podem conduzi-los à extinção, o Atlas também identifica doenças, como o Ébola, o comércio de carne e a venda de supostos órfãos a expatriados que, alegadamente, pretenderiam ‘salvá-los’. Muitas vezes a captura de um bebé significa o extermínio do grupo inteiro de adultos, pois estes defendem as crias.
O ministro britânico da Biodiversidade, Jim Knight, salientou a afinidade entre os grandes macacos e os humanos, afirmando que também aqueles “são autoconscientes, criaturas sociais, com cultura e práticas políticas, e capazes de comunicar através de gestos e linguagem”.
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