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Correio da Manhã

Mundo

A ajuda do Hezbollah

São mais de seis mil, entre engenheiros, carpinteiros ou simples brigadas de recolha de detritos. No bairro de Dahiyeh, bastião do Hezbollah na zona sul de Beirute, estão por todo o lado. São os voluntários do Hezbollah, que lideram o esforço de reconstrução, não apenas em Beirute, mas por todo o sul do Líbano.
22 de Agosto de 2006 às 00:00
A acção social junto das populações foi no passado uma das grandes armas do ‘Partido de Deus’ na conquista da confiança dos libaneses, e volta hoje a ser o instrumento de eleição para ganhar adeptos. Mal as bombas deixaram de cair, as equipas de voluntários do movimento saíram para as ruas e começaram a limpar e reconstruir.
Em Dahiyeh, cada casa destruída ‘vale’ 12 mil dólares por família, oito mil se ainda tiver recuperação possível. Fora os custos de reconstrução e material. Ghasson Darwich, porta-voz do Hezbollah, diz que o dinheiro vem “do governo libanês e de países amigos”, que recusa identificar.
A ajuda do Hezbollah não se limita aos bairros limítrofes de Beirute. Eles estão por todo o Sul do Líbano, controlando os esforços de reconstrução e o fluxo de refugiados que regressam a casa. “É uma presença pesada, mas discreta”, confirma João Fernandes, da organização não-governamental Oikos, que passou alguns dias na região fronteiriça do Sul do Líbano, a mais afectada pela guerra. “Sente-se a sua presença e vê-se a ajuda, mas para além dos miúdos com a bandeira do Hezbollah a gritar vitória não há nada de muito visível”, adianta.
"CARINHO POR PORTUGAL"
João Fernandes e a sua equipa ficaram surpreendidos com o acolhimento que tiveram. “As pessoas têm um grande carinho por Portugal, sentem que é um país que não os ameaça”, afirma. A surpresa maior foi a descoberta de vários cafés com nomes portugueses – propriedade de alguns dos muitos libaneses que estiveram emigrados no Brasil, Angola e Moçambique.
A situação no terreno é dramática. “As infra-estruturas foram muito atingidas, nomeadamente as escolas, organismos estatais, comércio, bombas de gasolina. Não há uma ponte intacta”, revela. Alimentação, roupa, água e saneamento básico são as preocupações mais imediatas, mas numa segunda fase vai ser preciso encontrar fontes de rendimento para as pessoas que perderam tudo. Os portugueses prometem ajudar no que puderem.
BUSH QUER FORÇA DE PAZ NO TERRENO
O presidente dos EUA, George W. Bush, apelou ontem ao envio urgente de uma força internacional para a fronteira israelo-libanesa e anunciou a oferta de 230 milhões de dólares em ajuda ao Líbano, na qual se inclui 25 mil toneladas de trigo.
Numa conferência de Imprensa de uma hora, Bush considerou que a força de paz é indispensável e deve ser enviada “o mais rapidamente possível”, mas frisou que a comunidade internacional “deve nomear um líder” para a força e dotá-la de “poderes sólidos” para intervir com eficácia na manutenção da paz na região.
SOLTAS
UE DEVE ASSUMIR PAPEL
O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, defendeu ontem em Amã que a União Europeia deve assumir rapidamente um “papel significativo” na formação da força que a ONU vai enviar para o Líbano. Para o chefe da diplomacia portuguesa, a relutância manifestada por alguns países-membros “não é positiva”.
ITÁLIA PODE LIDERAR
A Itália mostrou-se ontem disponível para assumir a liderança da futura força da ONU no Sul do Líbano, depois da recusa da França. Israel concorda com a liderança italiana.
ENVIO RÁPIDO
A chanceler alemã Angela Merkel alertou ontem para a necessidade do envio rápido da nova força para o Líbano devido à fragilidade do cessar-fogo.
NÃO AO DIÁLOGO
O primeiro-ministro israelita Ehud Olmert recusou sugestões vindas do interior do seu próprio partido para a abertura de negociações com a Síria sobre a devolução dos Montes Golã.
LONDRES INVESTIGA
O governo britânico está a investigar alegações de que as tropas israelitas encontraram equipamento militar britânico, incluindo óculos de visão nocturna, num ‘bunker’ do Hezbollah no Sul do Líbano.
RESERVISTAS CRITICAM
Centenas de militares reservistas que participaram na campanha israelita no Líbano assinaram uma carta aberta que critica duramente a forma como a guerra foi conduzida pelas chefias militares e pelo governo. Um general acusa mesmo o governo de ser “culpado do pecado da arrogância” por ter enviado tropas mal preparadas para a guerra.
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