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Correio da Manhã

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À beira da guerra civil

A escalada de violência entre facções rivais palestinianas está à beira de desencadear uma guerra civil na Palestina, considera o International Crisis Group (ICG), organismo não governamental sediado em Bruxelas.
14 de Junho de 2006 às 00:00
Além dos confrontos entre o Hamas e a Fatah, os palestinianos  enfrentam raides israelitas
Além dos confrontos entre o Hamas e a Fatah, os palestinianos enfrentam raides israelitas FOTO: Ahmed Jadallah/Reuters
De facto, a jornada de ontem foi uma vez mais marcada pela violência entre membros de facções armadas da Fatah e do Hamas, que se envolveram em confrontos na Cisjordânia e Faixa de Gaza, onde foram incendiados edifícios governamentais. No último mês ascendem a mais de 20 as mortes causadas pela luta de poder no território palestiniano.
Depois de o Parlamento ter sido atacado na segunda-feira, ontem atiradores da Fatah, fiel ao presidente Abbas, atacaram e incendiaram o edifício do escritório do primeiro-ministro Ismail Haniyeh.
A violência de ontem começou depois de um ataque ao funeral de um membro do Hamas, em Rafah, de que resultaram dois mortos e pelo menos 15 feridos, entre eles três crianças. Na retaliação foram alvejados edifícios da presidência em Ramallah. Entretanto, o deputado do Hamas Khalil al-Rabai e Saleh al-Rantissi, outro responsável do grupo radical, foram sequestrados durante curtos períodos de tempo, e o ministro do Turismo, Judeh Murqos, apresentou a demissão em protesto contra a onda de violência. Murqos, natural de Belém, era o único cristão do governo.
Abbas e Haniyeh reuniram-se ontem para debater a proposta de referendo do presidente, um dia depois de o Hamas ter tentado anular a consulta popular, prevista para dia 26 de Julho, levando ao Parlamento uma moção crítica do projecto.
A propósito da situação de caos crescente o estudo do ICG considera perigosa a insistência do presidente Abbas na realização de um referendo que implicitamente reconhece o Estado de Israel e critica a atitude da comunidade internacional de boicotar o governo do grupo radical Hamas. “A situação actual está a um passo do caos total, bastando para isso que seja assassinado, por exemplo, um líder importante da Fatah ou do Hamas”, afirma o ICG no seu relatório.
ISRAEL MATA ONZE EM GAZA
Um ataque israelita visando uma carrinha com militantes palestinianos causou a morte a pelo menos onze pessoas em Gaza, a mais sangrenta acção do género em quatro anos.
O governo de Israel considerou o ataque uma prova de que o Estado judaico vai continuar a alvejar os responsáveis pelo lançamento de ‘rockets’ contra alvos israelitas. “Temos exercido alguma contenção devido às críticas internacionais suscitadas pelo incidente numa praia de Gaza, mas isso acabou”, afirmou o ministro da Defesa israelita, Amir Peretz.
Fonte militar explicou, entretanto, que a viatura alvejada estava carregada de ‘rockets’ Katyusha e respectivos lançadores. Reagindo ao ataque, o presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, considerou que se trata de uma acção de “terrorismo de Estado”.
DESENVOLVIMENTOS
ARMAS
Israel aprovou o envio de um carregamento de armas e munições para reforçar, no momento de crise, as forças de segurança palestinianas leais ao presidente Mahmoud Abbas.
PROPOSTA
O primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, vai propor ao presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, a criação de um Estado palestiniano independente com “fronteiras provisórias”.
INOCENTES
Um investigação interna concluiu que o Exército israelita não é responsável pela explosão que na sexta-feira matou oito civis palestinianos numa praia da Faixa de Gaza.
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