Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
8

A CONVENÇÃO DE BUSH

A primeira Convenção do Partido Republicano em Nova Iorque começa depois de amanhã no Madison Square Garden e está montada para que a grande exposição pública de George W. Bush lhe permita continuar a subir nas sondagens.Depois de muitas semanas atrás do candidato democrata, John Kerry, nas sondagens nacionais, Bush apareceu ultimamente igual ou até um pouco à frente.
28 de Agosto de 2004 às 00:00
A Convenção termina quinta-feira, com o discurso de aceitação do candidato e, apesar de se estender por quatro dias, terá uma duração real de 19 horas, divididas em blocos pensados como eventos e que começam ao fim da tarde. Garantir espaço nos media mais importantes e também a animação dos cinco mil delegados mais uma enorme quantidade de acompanhantes que se vão deslocar à ‘Grande Maçã’ – computados ao todo em 50 mil – é o objectivo. De resto há de tudo – discursos, actuações de músicos para dividir os blocos, inúmeras actividades paralelas e até os ‘CJ’ – uma espécie de DJ da reunião, mas neste caso são pessoas que sabem comunicar e que aparecerão na própria Convenção ou através de circuito de televisão a incensaram Bush e o partido.
Em princípio, Bush só estará em Nova Iorque na própria quinta-feira e fará o seu discurso de um palco especialmente montado para esse dia, de modo a aparecer próximo dos seus apoiantes.
APOIO DEMOCRATA
Laura Bush fala na terça-feira e o vice-presidente Dick Cheney na quarta, tal como um dos oradores mais importantes, o senador democrata Zell Miller que apoia o candidato do partido rival e que vai falar da terra de oportunidades que W. Bush criou, na sua opinião. Em 1992, no mesmo local, Miller fez o discurso mais importante da Convenção dos democratas.
“Cumprir a promessa da América pela construção de um Mundo mais seguro e uma América com mais esperança” é o mote de toda a reunião, que está a ser preparada há um ano assente numa estrutura de gestão que inclui todo o tipo de ‘managers’ e consultores.
Como os trabalhos da Convenção começam só perto do fim da tarde, o resto do dia é consagrado a encontros e ‘lobbying’, mas não só.”Compaixão através da América”, por exemplo, é um programa que o partido lançou por proposta do próprio Bush e em que os militantes se oferecem para participar em programas de ajuda comunitários, como bancos alimentares, doação de sangue ou oferta de ‘kits’ escolares às crianças no regresso às aulas.
VIRAR À DIREITA?
A plataforma política que sairá de Nova Iorque será controlada ideologicamente pelo presidente. O documento defende tudo o que Bush fez (guerra no Iraque, cortes nos impostos) e o que quer fazer – colocar a proibição de casamentos homossexuais na Constituição, abrir as portas à imigração, que são temas controversos. Os ‘gays’ do partido, que têm o seu próprio grupo institucionalizado, são contra a primeira medida, e os conservadores contra a segunda, defendida em boa parte para agradar ao voto hispânico, que pode ser decisivo na eleição de 2 de Novembro.
DICK CHANEY FALA DA FILHA LÉSBICA
O vice-presidente Dick Chaney falou pela primeira vez em público do facto de uma das suas filhas ser lésbica. Foi na quarta-feira, numa reunião da campanha para as presidenciais que se realizou no Iowa e em que estava acompanhado da mulher. “A Lynne e eu temos uma filha ‘gay’ e por isso esse é um assunto com o qual estamos bastante familiarizados”, disse ele em resposta a uma pergunta de um dos presentes na sala sobre o casamento homossexual. “A minha visão geral é que liberdade significa liberdade para todos. As pessoas devem ser livres para terem uma relação do tipo que quiserem”. Mary, a filha em causa, trabalha na campanha de reeleição do pai e estava na sala.
Cheney, considerado um “falcão” do partido em muitos temas, tomou assim uma posição diferente daquela que tem sido assumida por George W. Bush, que pretende uma emenda à Constituição que defina o casamento como a união de um homem e uma mulher. O casamento homossexual, o direito ao aborto e a investigação em células estaminais são, em boa parte, as questões que determinarão se o partido faz um apelo à base mais conservadora ou se tanta atrair mais os moderados.
PROTESTOS JÁ COMEÇARAM
A Convenção do Partido Republicano atrai também muita gente a protestar contra a política de W. Bush. As primeiras três manifestações saldaram-se pela prisão de 21 pessoas, o triplo das que foram presas pelos mesmos motivos em Boston, no final de Julho, aquando da realização da Convenção do Partido Democrático.
O ‘mayor’ de Nova Iorque, Michael Bloomberg, criou até programas especiais com descontos em hotéis e em restaurantes para os manifestantes, mas estes dizem que essas medidas são modestas. Algumas organizações pediram permissão para se manifestarem no Central Park, o que já foi proibido por um tribunal. Mas esses manifestantes quase profissionais dizem que não há manifestações de protesto ordeiras e por isso querem manter a convocação para o Central Park, não longe do Madison Square Garden (MSG), onde a Convenção tem lugar de segunda a quinta-feira.
Anteontem, vários membros da organização ‘Act Up’ bloquearam o tráfego, nus, na 8.ª Avenida, em frente do MSG, protestando contra os resultados da política de Bush em relação à sida. A manifestação resultou em 11 prisões que, segundo fontes policiais, terão acusações menores. Um grupo denominado ‘Operação Sybil’ conseguiu tapar a fachada do Hotel Plaza com um enorme cartaz antiBush e, pelo meio, um polícia ficou ferido. O pior é que uma parte dos polícias também estão a pensar aproveitar o momento para se manifestarem pedindo aumento de salários ao ‘mayor’.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)