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A CULPA É DO EL NIÑO

O fenómeno climatérico designado por “El Niño” é responsável, segundo os cientistas, pelas estranhas condições atmosféricas que nas últimas semanas têm causado tragédias e devastação em vários pontos do Mundo.

11 de agosto de 2002 às 21:53

Os caprichos do clima, sujeito a variações bruscas e frequentes, tornam impossíveis as previsões dos meteorologistas e fazem com que enquanto na Europa e partes da Ásia chuvas intensas causam actualmente mortes e destruição, noutros pontos do continente asiático e nos EUA se viva a mais grave seca em muitos anos.

O “El Niño” é um fenómeno de aquecimento das águas do Oceano Pacífico que desencadeia uma reacção indirecta mas inevitável nos ventos e nas chuvas. Quando pela última vez se manifestou, há quatro anos, inundações e longos períodos de seca devastaram vários países da América do Sul, África e Leste da Ásia. Alguns cientistas defendem que à medida que as temperaturas da Terra aumentam, os efeitos do El Niño tendem a agravar-se.

Este ano a influência do fenómeno não está a ser tão forte, mas mesmo assim as suas consequências já se fazem sentir claramente em todas as latitudes. Mais de 140 pessoas morreram nos últimos dias em virtude das tempestades que grassam em grande parte da Europa e da Ásia e na Austrália os cientistas afirmam que os efeitos do “El Niño” já atingiram o país. A seca que aí se vivia foi agravada, afectando gravemente as colheitas de cereais.

INUNDAÇÕES E SECAS

A Índia é considerada pelos cientistas como um autêntico “banco de ensaio” para antecipar as condições do clima noutras partes do mundo. Este ano essa ideia foi flagrantemente confirmada, pois o país foi atingido por condições climatéricas contrastantes, havendo regiões a braços com inundações e deslocamentos de terras, enquanto outras sofrem com o calor e a falta de chuva.

Cerca de 700 pessoas morreram nas inundações e milhões ficaram desalojados no Leste do país, no Nepal e no Bangladesh. Algo semelhante ocorre no Sul da China, Coreias do Norte e do Sul e Vietname. Na China 70 pessoas foram vitimadas nos últimos dias pelas cheias e deslocamentos de terras, elevando o total de vítimas das chuvas deste ano às 900.

A Europa vive também ameaçada pela chuva. O turismo francês e espanhol está em crise graças às inundações e na Inglaterra mais de 250 pessoas ficaram ontem desalojadas em cidades do Nordeste.

Quanto às situações de seca, elas estão a ser vividas em parte da Ásia, na África do Sul e EUA, onde a pior seca em 50 anos atinge 26 estados. Incêndios gigantescos queimaram milhares de hectares de floresta e as colheitas ameaçam ser as piores dos últimos 30 anos.

REPERCUSSÕES A NÍVEL MUNDIAL

RITUAL NU

Cerca de 200 nepalesas foram ontem trabalhar os campos completamente nuas, cumprindo um ritual destinado a acabar com a seca. Os maridos foram fechados em casa e as mulheres trabalharam os campos despidas para aplacar a deusa Indra, senhora das chuvas.

TRAGÉDIA

As cheias que assolaram nos últimos dias a costa russa do Mar Negro vitimaram já 58 pessoas. Enquanto, no sábado, um dia de luto nacional era declarado, fontes oficiais alertavam para o desaparecimento de 400 pessoas, o que faz temer o aumento do número de mortos.

INSÓLITO

O fenómeno ‘El Niño’ causou na Suíça um outro fenómeno que não ocorria há quase 30 anos: a neve cai com intensidade, facto raro nesta altura do ano, e já atinge 30 cm de altura nas montanhas acima dos 2400 metros. A temperatura desceu aos zero graus.

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