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Correio da Manhã

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A dona do dinheiro da corrupção

A mulher que é a verdadeira dona da fortuna que encheu o ‘saco azul’ no Partido dos Trabalhadores (PT), Renilda de Sousa, negou ontem, perante a Comissão de Inquérito (CPI) em Brasília, qualquer envolvimento no caso de corrupção, afirmou desconhecer detalhes dos negócios do marido, o publicitário Marcos Valério, mas adiantou que este lhe contou que o ex-ministro José Dirceu sabia de tudo.
27 de Julho de 2005 às 00:00
Valério afirmou perante a Comissão de Inquérito que a mulher se recusa a devolver-lhe as empresas
Valério afirmou perante a Comissão de Inquérito que a mulher se recusa a devolver-lhe as empresas FOTO: Fernando Bizerra (EPA)
Renilda, em cujo nome as empresas tinham sido provisoriamente colocadas por precaução, é a verdadeira dona das empresas geridas por Valério, que, num depoimento perante a CPI, se queixou de que ela não queria devolvê-las.
Renilda, que lutou até ao último momento na Justiça para não depôr e perdeu, assumiu-se como uma simples dona de casa, que cuida dos dois filhos e do marido e deixa os negócios com ele. Por isso, nem sabia que Valério movimentou em apenas dois anos, e só através de duas das muitas empresas que o casal possui, 300 milhões de euros (ou,mais de 560 milhões de euros, segundo certas fontes), boa parte sem origem e destino claros.
A relação do casal, junto há 18 anos, que há três anos tinha um património declarado de apenas um milhão de euros, é tão estranha quanto as movimentações das empresas. Valério comprou as duas principais, SMPB e DNA, ambas de publicidade, falidas e desacreditadas, em 1995. Mais tarde, para fugir de riscos, pois tinha problemas com um ex-sócio e com a Justiça, colocou-as em nome de Renilda.
Assim que o governo Lula assumiu o poder, as duas empresas venceram inúmeras licitações para assessorarem órgãos do governo e transformaram-se em gigantes do sector. Foi quando Valério tentou passá-las novamente para seu nome e foi surpreendido pela negativa da mulher, que, no entanto, lhe deu poderes para geri-las.
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