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Correio da Manhã

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A minha filha tem medo de voltar à escola

"Ela tem medo de ir à escola. Não posso obrigá-la a ir”. É com desalento que Merja Launonen fala dos sentimentos da sua filha de 14 anos, que assistiu ao massacre cometido por Pekka-Eric Auvinen no Liceu Jokela. Pouco habituada a crimes como este, a Finlândia ainda está em estado de choque.
9 de Novembro de 2007 às 00:00
Os alunos ainda não estão refeitos do choque. Pekka-Eric matou oito pessoas
Os alunos ainda não estão refeitos do choque. Pekka-Eric matou oito pessoas FOTO: Seppo Sirkka
São muitos os alunos que partilham do medo da filha de Merja. Alguns contam que ficaram escondidos em salas de aula durante horas após o massacre com medo que Pekka-Eric voltasse. O sentimento de choque é geral. Ninguém consegue compreender por que um colega quis matar colegas e professores.
Segundo a polícia, o jovem, de 18 anos, entrou na escola com uma pistola de calibre 22 e mais de 400 balas. Abriu fogo indiscriminadamente enquanto deambulava pelos corredores. Disparou pelo menos 69 tiros e matou seis alunos, a directora e uma enfermeira da escola. As oito vítimas foram atingidas repetidamente. Havia corpos crivados com cerca de 20 balas. Alguns alunos contam que ele ainda tentou, sem êxito, pegar fogo à escola. Acabou por disparar um tiro na cabeça e viria a sucumbir aos ferimentos horas depois no hospital. Na véspera colocara no YouTube um vídeo a anunciar o massacre, mas passou despercebido. A polícia afirma que deixou uma nota de suicídio, na qual se despede da família e explica o seu ódio face à sociedade. As explicações dadas pelo jovem não foram divulgadas.
A bandeira foi ontem colocada a meia haste por toda a Finlândia e em muitas igrejas foi rezada uma missa em memória das vítimas. “É uma loucura este rapaz ter querido copiar o que acontece em escolas norte--americanas”, comentou uma finlandesa, ainda não refeita.
A Finlândia ocupa o terceiro lugar, a nível mundial, de posse de armas per capita, mas incidentes com armas são muito raros. Após esta tragédia, o governo planeia criar leis mais duras no que respeita a posse armas por jovens.
À MARGEM
BALAS
Pekka-Eric Auvinen entrou na escola com uma pistola de calibre 22 e mais de 400 munições.Disparou pelo menos 69 balas. Os corpos de algumas das vítimas tinham cerca de 20 balas. Morreram seis alunos, a directora e uma enfermeira.
ARMAS
A Finlândia é o terceiro país do Mundo com mais armas per capita, mas incidentes violentos como o que ocorreu no Liceu Jokela são muito raros. O governo planeia agora criar uma lei mais dura no que respeita À posse de armas.
ATAQUES
Em 2002 um homem colocou uma bomba num centro comercial de Helsínquia e causou a morte a seis pessoas. O atacante suicidou-se. Em 1989, um aluno de 14 anos matou duas crianças numa escola primária em Rauma.
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