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"A parir, a parir": Maduro pede às venezuelanas que tenham todas pelo menos "seis filhos"

"A parir, pois, a parir! Todas as mulheres a terem seis filhos, todas! Que a pátria possa crescer", disse o presidente da Venezuela, onde 13% das crianças são subnutridas. 
Diogo Barreto / SÁBADO 4 de Março de 2020 às 22:32
Nicolás Maduro
Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro
Nicolás Maduro
Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro
Nicolás Maduro
Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro
Num momento de efusão, o presidente venezuelano desafiou as mulheres venezuelanas a terem todas pelo menos seis filhos para que o país possa crescer. "A parir, pois, a parir! Todas as mulheres a terem seis filhos, todas! Que a pátria possa crescer", alvitrou Maduro. 

O pedido feito por Maduro surgiu na sequência de ter conhecido uma mulher grávida do seu sexto filho. O discurso que se seguiu foi transmitido pela televisão estatal venezuelana. 

Apesar de a Venezuela ter uma taxa de natalidade bastante elevada (2,4 filhos por mulher em idade fértil), Maduro quer que essa taxa seja ainda mais elevada. O presidente elogiou o esforço que as mulheres fazem para trazer crianças ao mundo. 


Apesar do tom animado do presidente, a Venezuela está a braços com uma grave crise económica e os serviços estatais estão em baixo, incluindo os programas de prevenção de gravidez na adolescência e consultas de planeamento familiar. Há também vários casos de desnutrição infatil, relembra o jornal The Guardian. Um relatório da UNICEF afirma mesmo que 13% das crianças venezuelanas são subnutridas.

Em 2017, um boletim governamental revelava que nesse mesmo ano tinham morrido cerca de 11.500 crianças no país, o que representava um crescimento de 30% na taxa de mortalidade infantil.

Esta situação de carência tem reduzido o ritmo de crescimento das crianças venezuelanas, diminuindo o seu desenvolvimento cognitivo e causando sequelas físicas e emocionais a milhares de jovens. Esta situação já levou alguns médicos a vaticinarem que a Venezuela pode estar prestes a enfrentar mais do que uma geração de pessoas que nunca irão atingir uma maturidade física e mental estável.

Do lado institucional, Nicolás Maduro, o presidente venezuelano, garante que a culpa da crise e da falta de comida é dos EUA e das sanções que impôs ao país com o único objetivo de o destituir. E continua a desvalorizar a situação do povo venezuelano, afirmando que tanto as instituições como os meios de comunicação estrangeiros exageram bastante a verdadeira situação daquele país.

De acordo com a UNICEF, entre 2013 e 2018, 13% das crianças da Venezuela sofreram de subnutrição. Já a Caritas num estudo recente determinaram que 16% das crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição aguda e que mais do dobro está num patamar inferior ao esperado para a sua idade. A ONU já angariou cerca de 80 milhões de dólares para oferecer ajuda humanitária à Venezuela durante o segundo semestre de 2019.

Nos últimos anos registou-se um êxodo de milhões de venezuelanos que fogem das condições precárias encontradas no país.
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