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A primeira mulher submarinista da América do Sul está no navio desaparecido

Eliana Krawczyk nasceu a quase 600 km do mar. É chefe de armas e a única mulher a bordo.

19 de novembro de 2017 às 15:49

Diz-nos o google maps que, uma linha reta entre Oberá e Bacupari dista 574 km. É a distância da cidade argentina ao ponto de mar mais próximo, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Pois foi aqui que nasceu, há 35 anos, a mulher que está nas preces dos argentinos. Eliana Krawczyk, oficial de armas, está a bordo do San Juan, o submarino que está desaparecido desde quarta-feira ao largo da Argentina.Eliana conseguiu o feito de ser a primeira mulher a tornar-se submarinista na América do Sul. Uma conquista notável, sobretudo para quem só viu o mar pela primeira vez aos 21 anos.

Estudou engenharia industrial na universidade de Misiones, na Argentina, mas dois eventos dramáticos mudaram o curso da sua vida: as morte de um dos irmãos, vítima de um acidente de trânsito, e da mãe, por causa de um episódio cardíaco.

 

Abalada com a perda, Eliana quis mudar de vida. "Descobri na Internet um anúncio da Armada a convocar jovens. Fui a correr inscrever-me. Deixei tudo e viajei para a Escola Naval Militar de Ensenada. Levava uma foto da minha mãe na carteira", contou numa entrevista è revista Viva.

Passou a oficial em 2009 e, em 2012, ingressou na escola de submarinos. Formou-se em dezembro desse ano, tornando-se a primeira oficial submarinista do país e da América do Sul. Estava a bordo do San Juan como chefe do armamento.

Conta que nunca teve problemas com as tripulações, até aí exclusivamente masculinas: 

 "Vivi sempre isso bem, e nunca me custou. Não tive qualquer travão nem intervenção de ninguém e nunca houve problemas. Durmo com dois companheiros no mesmo camarote. Sou a única mulher a bordo, sinto-me bem, contente e feliz", disse numa entrevista.

O pai, Eduardo Krawczyk, conta ao jornal Clarín a apreensão que vive. "Rezamos para que tudo se resolva". "Falei com ela no dia anterior ao embarque, há cerca de 15 dias. Disse-me que chegaram à Terra do Fogo e foram cumprimentados pela governadora", lembra.

Eliana é a única mulher de uma tripulação de 44 marinheiros. No sábado, o navio terá tentado comunicar por satélite, mas a Armada não confirma que a origem dos sinais detetados seja o San Juan. Os tripulantes terão mantimentos para mais 15 dias.

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