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Correio da Manhã

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À PROCURA DE UM ACORDO SUSTENTÁVEL

Os tapetes vermelhos foram hoje estendidos em Joanesburgo para receber os líderes mundiais na Cimeira sobre o Desenvolvimento Sustentável, mas à espera deles não havia qualquer acordo sobre um plano de acção para proteger o meio ambiente e combater a pobreza no Mundo.
2 de Setembro de 2002 às 12:54
Eles continuam sem respostas
Eles continuam sem respostas
A cimeira começou na passada segunda-feira e termina na próxima quarta-feira. Os chefes de Estado e de Governo apresentam-se hoje na cimeira para discursar e conceder ao evento o verdadeiro valor de reunião mundial. Discursam hoje na cimeira o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, o presidente da França, Jacques Chirac, o presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, e o vice-primeiro-ministro iraquiano Tareq Aziz, entre outros. Os discursos de Mugabe e de Aziz deverão ter um impacto descontextualizado da cimeira, devido à expropriação dos agricultores brancos no Zimbabwe e à intenção norte-americana de guerra contra o Iraque.

As imagens e as palavras dos líderes vão concentrar a atenção da comunicação social de todo o Mundo em Joanesburgo, mas a situação planetária exige mais do que retratos simbólicos ou aproveitamentos políticos; exige o plano de acção que falta. O equilíbrio natural está a degradar-se a ritmo acelerado pelo efeito poluidor do Homem, um quinto da população mundial sobrevive com menos de um dólar diário por pessoa e um terço da Humanidade não tem higiene sanitária básica. São necessárias medidas concretas no plano dos recursos energéticos e é preciso, como declarou na cimeira o presidente anfitrião, o sul-africano Thabo Mbeki, “acabar com o apartheid” entre os poucos muito ricos e os muitos milhões de pobres”.

Os ministros dos mais de 100 países representados na cimeira fizeram um último esforço para ter um acordo pronto para a assinatura dos líderes, mas as conversações fracassaram de madrugada. As primeiras informações indicavam que as conversações caíram num impasse por oposição dos EUA ao desejo da UE de estabelecer metas concretas para a transição do uso de energias fósseis (petróleo e gás natural) para energias renováveis. Mais tarde, um diplomata europeu, disse que o obstáculo surgiu na frase (a incluir no texto final) que contemplava o direitos das mulheres à interrupção voluntária da gravidez e ao uso de contraceptivos. Os norte-americanos opõem-se a qualquer iniciativa que favoreça o aborto.

Os ministros voltaram a reunir-se ao final da manhã e vão continuar à procura de um acordo sustentável, que promova o desenvolvimento humano em harmonia com a Natureza e estabeleça uma data (fala-se em 2015) para atingir determinados resultados, essenciais para o futuro do Homem e do Planeta.
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