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A voz incómoda da Venezuela

Há uns 30% ou 33% que constituem o ‘chavismo’, ou lá como se chama este sistema governativo, e a maioria deles são parasitas que vivem à custa do governo e são subsidiados pelo Estado." Foi assim que em 2006, quando desafiou Hugo Chávez na corrida presidencial, o líder da oposição Manuel Rosales definiu o actual regime político da Venezuela. As declarações foram gravadas para a TV Mega, mas Rosales desmentiu mais tarde ter chamado parasita a quem quer que fosse.
2 de Maio de 2009 às 00:30
A voz incómoda da Venezuela
A voz incómoda da Venezuela FOTO: Américo Morili/Epa

O insulto não foi a razão do processo judicial que lhe foi movido, e que este mês o levou a procurar asilo político no Peru, mas somou-se a um conjunto de outras posições e declarações para reforçar a tensão com o poder hegemónico de Hugo Chávez.

O mais grave desafio terá sido o apoio ao golpe de Estado falhado de 2002. Após dias de manifestações da oposição, milhares de pessoas dirigiram-se a 11 de Abril para o Palácio presidencial de Miraflores, já então protegido por apoiantes do presidente. Durante os confrontos que se seguiram, várias pessoas morreram alvejadas por disparos. O tiroteio continuou durante horas e, na madrugada do dia seguinte, as chefias militares anunciaram a renúncia do presidente. Os militares da oposição aproveitaram para proclamar Pedro Carmona Estanga, mas as pressões internas e externas ditaram o fracasso do golpe e o regresso de Chávez ao poder, no dia 14.

Rosales foi um dos signatários da proclamação de Carmona, algo que diz ter feito "num momento conturbado, com a melhor das intenções e para bem do país".

Na recta final da corrida presidencial de 2006, perante a capacidade de Rosales de congregar as maiores multidões de opositores vistas na Venezuela em décadas, a televisão estatal divulgou fotos do candidato junto de militares do golpe de 2002 e transcreveu frases suas. Numa, Rosales exigia a demissão dos "governadores e autarcas que não apoiem a nova ordem institucional".

No final de 2008, Chávez acusou-o de conspiração e desvio de fundos. "Vou varrer-te do mapa político, desgraçado, mafioso, ladrão!", afirmou, prometendo prender o ex-governador do estado Zulia e presidente reeleito da Câmara de Maracaibo. À ameaça seguiu-se, em Abril, a abertura de um processo por desvio de cerca de 60 mil euros e a emissão de um mandado de captura internacional. Para a esposa de Rosales, Evelyn Trejo, o processo "é um capricho de Chávez", o culminar de uma perseguição política a uma voz incómoda para o regime.

A FIGURA

Manuel Rosales nasceu em Santa Bárbara (1952), estado de Zulia, o mais rico e populoso da Venezuela. Professor de profissão, foi presidente de Maracaibo (1996/2000) pela Acção Democrática e, com o partido que fundou, o Novo Tempo, foi reeleito em 2008, depois de, com esse partido, ter governado Zulia desde 2000.

ALVO DE TENTATIVA DE HOMICÍDIO

Durante a campanha para as presidenciais de 2006, a caravana de Manuel Rosales foi alvejada durante uma visita Guarenas, um bairro degradado dos arredores de Caracas. Várias pessoas da comitiva ficaram feridas. Sem falar de atentado, Rosales afirmou: "Considero-o responsável [a Chávez] pelo que possa acontecer-me a mim ou aos líderes populares que me acompanham."

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