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Abbas sobe parada e convoca eleições

O presidente palestiniano Mahmoud Abbas jogou ontem uma cartada arriscada no seu braço-de-ferro com o Hamas, ao anunciar a convocação de eleições antecipadas após dias de violência entre facções leais à presidência e ao governo. O Hamas rejeitou imediatamente a possibilidade de ir a votos, acusou Abbas de ‘golpe de Estado’ e prometeu resistir nas ruas à vontade do presidente.
17 de Dezembro de 2006 às 00:00
Mahmoud Abbas diz que as eleições são a única solução para a crise
Mahmoud Abbas diz que as eleições são a única solução para a crise FOTO: Loay Abu Haykel, Reuters
“A crise está cada vez mais grave. Decidi, por isso, convocar eleições presidenciais e parlamentares o mais brevemente possível”, afirmou Abbas num discurso aos palestinianos. O presidente não adiantou quando terão lugar as eleições, mas o seu adjunto, Saeb Erekat, afirmou que não poderão realizar-se antes do meio de 2007 por questões “técnicas e legais”.
A decisão de Abbas surge após meses de virtual paralisia das instituições palestinianas devido ao boicote internacional ao governo liderado pelo Hamas e à impossibilidade de acordo entre aquele movimento e a Fatah, de Abbas, com vista a um governo de coligação. A tensão resultante deu origem a confrontos violentos entre elementos armados das duas facções e levou Abbas a tomar esta decisão arriscada.
O Hamas foi rápido a reagir, rejeitando de imediato a convocação de eleições antecipadas e acusando Abbas de “golpe de Estado contra um governo democraticamente eleito”. “O governo permanece em funções. Quem não gostar que se vá embora”, afirmou o deputado do Hamas Mushir al-Masri. O movimento apelou já aos seus apoiantes para saírem para as ruas e resistirem, no que poderá ser o prenúncio de uma guerra civil. Ontem mesmo, registaram-se confrontos em Khan Yunnis e Rafah, que fizeram pelo menos dez feridos.
EUA FINANCIAM FORÇAS DA FATAH
A secretária de Estado norte--americana Condoleezza Rice anunciou que vai pedir ao Congresso dezenas de milhões de dólares para financiar o reforço das forças de segurança da Fatah, num claro sinal de apoio ao presidente palestiniano no seu braço-de-ferro com o Hamas.
A comunidade internacional foi, aliás, rápida a elogiar, ontem, a decisão do presidente em convocar eleições antecipadas. Um porta-voz da Casa Branca fez votos para que as eleições “ajudem a travar a violência e possibilitem a criação de um governo que respeite os princípios estabelecidos pelo Quarteto”.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, afirmou, por seu lado, que “este é o momento certo para a comunidade internacional mostrar que apoia Abbas”.
CRONOLOGIA DA CRISE
11 NOVEMBRO 2004
Morre Yasser Arafat em Paris, vítima de doença misteriosa. Começa a discussão para encontrar um sucessor para a liderança da Autoridade Palestinana (AP).
9 JANEIRO 2005
Mahmud Abbas é eleito presidente da AP.
JANEIRO 2005
O primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, recupera a maioria no Parlamento e lança o seu plano para a retirada de Gaza.
AGOSTO 2005
Israel finaliza a retirada de Gaza. Oito mil colonos judeus são transferidos.
NOVEMBRO 2005
Sharon perde a maioria no Parlamento e decide convocar eleições para Março de 2006.
DEZEMBRO 2005
Sharon sofre um enfarte cerebral. Desde então permanece em coma. Ehud Olmert é nomeado primeiro-ministro interino.
25 JANEIRO 2006
Hamas ganha as eleições legislativas palestinianas com mais de 40 por cento dos votos. Ismail Haniya torna-se primeiro-ministro.
28 MARÇO 2006
O Kadima, partido de Olmert, ganha as eleições gerais de Israel.
SETEMBRO 2006
Abbas e Haniya acordam formar um governo de unidade.
14 DEZEMBRO 2006
Haniya é recebido com tiros quando tentava entrar em Gaza. O Hamas responsabiliza a Fatah e começam os combates entre as suas milícias.
16 DEZEMBRO 2006
Mahmud Abbas anuncia a convocatória de eleições na Palestina para meados de 2007. Hamas reage com violência.
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