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Correio da Manhã

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Abdullah Gul eleito presidente

Abdullah Gul, ex-islamista que liderou a candidatura turca à adesão na União Europeia, foi ontem eleito presidente da Turquia, para desagrado dos militares e da elite secularista, que vêem nele uma ameaça aos princípios laicos do Estado.
29 de Agosto de 2007 às 00:00
Abdullah Gul
Abdullah Gul FOTO: Epa
“Enquanto ocupar este cargo, tratarei todos os cidadãos por igual”, afirmou Gul na tomada de posse, após a sua nomeação ter sido formalmente confirmada pelo Parlamento, na terceira e última ronda de votação, depois de duas derrotas já esperadas.
A cerimónia foi boicotada pela oposição secularista, pelos militares e por alguns representantes da sociedade civil, e não contou também com a presença de Hayrunnisa, a nova primeira-dama turca, que será a primeira esposa de um presidente a usar o lenço islâmico.
O passado islamista de Gul – do qual o até agora ministro dos Negócios Estrangeiros se tem vindo a distanciar – continua a levantar muitas dúvidas entre os militares, que se consideram os defensores da Constituição e garantes do secularismo do Estado turco, e que não hesitaram em recorrer à força no passado para derrubar governos considerados demasiado pró-islâmicos. Ainda na segunda-feira, na véspera da votação, o chefe do Estado-Maior turco, general Yasar Buyukanit, lançou novo aviso às “forças que tentam destruir a estrutura laica e democrática” da Turquia.
PERFIL
Abdullah Gul nasceu em Kayseri em 1950. É doutorado em Economia e foi eleito deputado em 1991, sendo reeleito em 1999 pelo Partido da Virtude. Foi um dos fundadores do AKP, pelo qual foi eleito em 2002 e depois nomeado primeiro-ministro. Cedeu o lugar em 2003 ao líder do partido, Recep Tayip Erdogan, que o nomeou ministro dos Negócios Estrangeiros.
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