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Abramovich é o mais recente oligarca judeu russo a emigrar para Israel

País dá automaticamente a cidadania a quem tiver ascendência judaica.

29 de maio de 2018 às 23:13

A emigração repentina para Israel do multimilionário russo Roman Abramovich, dono do clube de futebol britânico Chelsea, tornou-se o último de uma série de oligarcas judeus russos que se instalaram no país nos anos mais recentes.

Abramovich recebeu a sua cidadania israelita na segunda-feira, ao chegar a Israel no seu avião privado, tornando-se imediatamente no israelita mais rico, com uma riqueza estimada superior a 11 mil milhões de dólares (9,5 mil milhões de euros).

Israel dá automaticamente a cidadania a quem tiver ascendência judaica.

A decisão de Abramovich seguiu-se à decisão das autoridades britânicas de não renovarem o seu visto, aparentemente integrada nos esforços de Londres para reprimirem os associados do presidente russo, Vladimir Putin.

O Reino Unido decidiu rever os vistos de longo prazo para russos ricos depois dos envenenamentos, ocorridos em março, do ex-espião russo Sergei Skripal e da sua filha, na cidade britânica de Salisbury. Os britânicos responsabilizam os russos pelo incidente, o que estes negam.

A então secretária do Interior, Amber Rudd, afirmou em março passado que o Governo estava a rever os cerca de 700 vistos concedidos a russos ricos.

Não está claro quanto tempo Abramovich vai passar em Israel. Possui no país uma casa de referência no bairro da moda Neve Tzedek, em Telavive, que comprou, há vários anos, à Yaron Versano, o marido da atriz da Mulher Maravilha, Gal Gadot.

Abramovich pode ser o mais destacado dos oligarcas russos a mudar-se para Israel, mas não o primeiro.

Alex Kogan, um jornalista que tem coberto o fenómeno dos oligarcas russos em Israel, estima entre 30 e 40 os que adquiriram nacionalidade ou residência israelita.

Os oligarcas -- empresários que acumularam riquezas avultadas no processo de privatizações subsequente ao colapso da União Soviética -- têm vários motivos. Alguns fugiram da Federação Russa, devido a irregularidades financeiras ou divergências acentuadas com Putin, que os podiam colocar em risco de prisão.

Outros são próximos do Governo de Moscovo e procuram as vantagens de um passaporte israelita, como uma entrada sem visto na União Europeia. Alguns são atraídos pelos benefícios fiscais para novos imigrantes. Todos também estão mais protegidos em Israel de ameaças de extradição, por acusações reais ou forjadas.

Alguns multimilionários, como Mikhail Fridman e German Khan, obtiveram a cidadania israelita, mas mantêm a residência oficial em Londres e Moscovo.

Entre os outros que se mudaram para Israel está Leonid Nevzlin, o mais destacado dos associados do ex-oligarca do petróleo Mikhail Khodorkovsky, que dirigiu a petrolífera Yukos durante vários anos, até preso durante vários anos depois de entrar em divergência com Putin.

Nevzlin e os seus associados Mikhail Brudno e Vladimir Dubov, defenderam a libertação de Khodorkovsky, a partir de Israel.

Desde a sua chegada que Nevzlin se tornou um influente empresário e filantropo. Preside ao Congresso Judaico Russo e ao Conselho de Curadores do Museu do Povo Judeu e integra a Agência Judaica, o Fundo Nacional Judaico, a Universidade Hebraica e a Universidade de Telavive.

A sua filha Irina está casada com Yuli Edelstein, o presidente do parlamento israelita, ele próprio um antigo preso político na União Soviética.

Outro oligarca que procurou Israel foi Arkady Gaydamak. Durante um período de tempo, foi uma das celebridades israelitas mais acarinhadas.

Chegou a possuir o popular clube de futebol Beitar Jerusalem, comprou um hospital e uma estação de radio, e deu milhões a organizações caritativas. Durante a guerra de 2006 com o Hezbollah, erigiu um abrigo para os que fugiam dos ataques com foguetes no norte do país, chegando a albergar cinco mil pessoas.

Depois de ter sido envolvido numa polémica associada ao tráfico de armas para Angola e de ter concorrido sem êxito a presidente da câmara de Jerusalém, saiu do país, no meio de escândalos financeiros em Israel e na Europa.

Um antigo associado de Abramovich, Shalva Chigrinsky, foi para Israel para fugir aos procuradores russos que investigavam os seus negócios, incluindo a construção de grandes centros comerciais em Moscovo e a pretensão de construir o maior edifício da Europa. Saiu da Federação Russa em 2009, depois de conflitos com empresários rivais e o presidente da Câmara de Moscovo.

Já Valery Kogan é considerado um amigo de Putin e possui o aeroporto moscovita de Domodedovo, que é maior da Europa oriental. A imprensa israelita noticiou que ele investiu pelo menos 100 milhões de dólares na construção da mansão mais faustosa de Israel, em 2013, desenhada num estilo similar ao da Casa Branca, tendo-a vendido entretanto.

Terá depois estabelecido um recorde no imobiliário israelita, ao adquirir um apartamento em Telavive com mil metros quadrados, por um milhão de dólares. No último ano, foi noticiado que pagou milhões a Mariah Carey e Elton John para cantarem no casamento da sua neta.

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