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Correio da Manhã

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ABUSO DE MENORES ABALA COLÓNIA BRITÂNICA

Pitcairn, uma colónia britânica localizada entre a Nova Zelândia e o Peru, foi notícia em 1999, quando uma jovem se queixou a uma agente da Polícia de que estava a ser sexualmente abusada.
30 de Setembro de 2004 às 00:00
A partir dessa altura, esta pequena ilha com apenas 47 habitantes saltou para a ribalta, tanto mais que foi iniciada uma investigação e sete homens – metade da população adulta masculina da ilha – foram acusados de abusos sexuais. Ontem, dia em que começou o julgamento, algumas mulheres solidarizaram-se com os acusados, argumentando que é uma tradição secular na ilha manter relações sexuais com menores de 12 anos.
Segundo as mulheres, desde o século XVIII, quando Fletcher Christian e os seus cúmplices assumiram o controlo do navio ‘Bounty’ e se estabeleceram na pequena ilha do Pacífico que os homens têm relações sexuais com jovens mulheres. Para elas, este julgamento, que está a dividir a pequena comunidade de Pitcairn, é uma tentativa do Reino Unido para ‘fechar’ a ilha. Para dar consistência aos seus argumentos, uma das mulheres, Darralyn Griffiths, de 26 anos, conta o seu caso: “Eu tinha 13 anos... Sentia-me já como se fosse uma mulher feia. Eu quis”.
Mas os poucos habitantes de Pitcairn não estão unidos nesta questão e nem todos concordam de que o sexo com menores é praticado com o consentimento de ambas as partes. “Partir do princípio que todas as raparigas, de 10 ou 12 anos, estão preparadas para ser sexualmente activas é um verdadeiro disparate!”, afirma uma mulher de Pitcairn que recusou identificar-se com receio de ser ostracisada.
É nesta atmosfera decisiva que se iniciou o julgamento dos sete homens nesta ilha com cinco quilómetros quadrados. Os sete arguidos, entre os quais o presidente da Câmara, Steve Christian, e o seu filho Randy, vão ser julgados segundo a lei britânica – que proíbe relações sexuais com menores de 16 anos – e enfrentam um total de 96 acusações de abusos sexuais de menores, alguns cometidos há 40 anos. A maioria das testemunhas – um grupo de oito mulheres que vive na Nova Zelândia desde que se iniciou a investigação – vai depor via vídeo.
Este julgamento, que deverá durar aproximadamente seis semanas, está angustiar muitos dos habitantes de Pitcairn, sobretudo as mulheres, já que são os homens que trabalham para a sobrevivência da família e, sem eles, possivelmente terão de abandonar a ilha.
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