Chefe de Estado apontou a necessidade de o continente sair do modo das lamentações e criar as condições para ter ideias claras e objetivos sobre o futuro.
O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, defendeu esta quinta-feira que África tem condições, talento e capacidade para criar a sua própria vacina e fabricar medicamentos, face às dificuldades sentidas pelo continente com a pandemia de Covid-19.
"Há uma discussão sobre as vacinas, não há solidariedade internacional, porque África esta com défice de vacina", reconheceu José Maria Neves, na abertura do seminário internacional "O Legado Teórico de Amílcar Cabral", a decorrer hoje na cidade da Praia.
Questionando-se sobre as condições de África, o chefe de Estado apontou a necessidade de o continente sair do modo das lamentações e criar as condições para ter ideias claras e objetivos sobre o futuro, dando como exemplo as vacinas e medicamentos produzidos localmente.
O objetivo é que "as pessoas vivam muito melhor do que antes da luta pela independência e não haver a degradação das condições de vida das pessoas", afirmou o Presidente, alertando para o perigo de dentro de alguns anos o continente continuar a lamentar a falta da solidariedade dos países desenvolvidos.
"África tem de pensar já que a pandemia não vai ser uma questão de meses, vamos ainda conviver com este vírus por alguns anos, a África tem de pensar em ter a sua própria vacina e fabricar os seus próprios medicamentos antivirais", realçou.
A Lusa noticiou em 6 de dezembro que Cabo Verde deverá ser um dos únicos cinco países africanos a atingir a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de vacinar totalmente contra a covid-19 40% da população até ao final do ano, segundo um estudo da Fundação Mo Ibrahim.
De acordo com dados até 18 de novembro, as ilhas Seicheles, Maurícias e Marrocos já atingiram aquele objetivo, enquanto Cabo Verde e Tunísia estavam perto e deverão conseguir até ao final de dezembro.
Os números oficiais das autoridades cabo-verdianas indicam que este marco já foi superado, com mais de 80% das pessoas adultas já com a primeira dose das vacinas contra a covid-19 e quase 70% das pessoas completamente vacinadas.
Porém, o estudo "Covid-19 em África: um caminho difícil para a recuperação" observa que os restantes 49 países africanos estão muito atrasados, com destaque para a República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Chade, Tanzânia e Camarões.
Apesar de a campanha de vacinação contra a covid-19 ser considerada "a maior e mais rápida" na história, é também marcada pela desigualdade na distribuição das vacinas.
Até meados de novembro, apenas 6,8% da população africana tinha recebido a vacinação completa (uma ou duas doses, dependendo do fármaco), contra 66,8% nos países do G7 (Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Canadá e Japão).
"África tem centros de pesquisas, tem pesquisadores na África e na diáspora africana e tem recursos para produzir as suas próprias vacinas para combater esta e outras pandemias", disse o Presidente, à margem do seminário, organizado pela Fundação Amílcar Cabral (FAC), dedicado ao legado do histórico do líder da independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau.
"Amílcar Cabral tem sido sempre a minha fonte de inspiração", disse José Maria Neves, assumindo que África poderia estar muito mais desenvolvida e próspera se os ideais de Cabral (12 de setembro de 1924 - 20 janeiro de 1973) tivessem sido aplicados.
Este seminário enquadra-se no programa alargado de celebração do centenário de nascimento do patrono da fundação, que se celebra em setembro de 2024, e no processo de candidatura do legado documental escrito de Cabral à Memória-Mundo da Organização das Nações para Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
O seminário é organizado pela FAC e pela Associação dos Combatentes pela Liberdade da Pátria (ACOLP), no quadro ainda dos 50 anos da morte de Amílcar Cabral (2023).
O programa "Memória do Mundo" foi estabelecido em 1992 pela UNESCO com o objetivo de contribuir para a preservação do património documental mundial.
A Fundação Amílcar Cabral, que tem como missão a preservação da obra e memória do seu patrono, promoveu a edição de várias obras do líder histórico, entre as quais se contam "Unidade e Luta", "Cabo Verde: Reflexões e Mensagens" ou "A Emergência da Poesia em Amílcar Cabral".
Em 2015, criou o espaço museológico Sala-Museu Amílcar Cabral, onde pretende dar a conhecer às gerações mais novas e aos turistas que visitam a cidade da Praia a história da luta de libertação liderada por Cabral.
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