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Correio da Manhã

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Agca enfrenta prisão

O turco Mehmet Ali Agca, de 48 anos, que tentou assassinar o Papa João Paulo II em 1981, libertado na quinta-feira da semana passada de uma prisão em Istambul, desrespeitou a ordem para se apresentar ontem à polícia e se não se apresentar até amanhã às autoridades será de novo perseguido judicialmente.
15 de Janeiro de 2006 às 00:00
O turco Mehmet Ali Agca quando foi libertado na quinta-feira
O turco Mehmet Ali Agca quando foi libertado na quinta-feira FOTO: Stringer, Reuters
O governador de Istambul, Muammer Guler, afirmou que “se Agca não se apresentar até segunda-feira (amanhã) para um exame médico, o distrito de recrutamento poderá considerá-lo desertor e mandar detê-lo”, porque nunca cumpriu o serviço militar obrigatório. Guler admitiu desconhecer o seu paradeiro, mas acrescentou ter tido informações de que Agca foi avistado em vários locais.
“Não podemos para já emitir uma ordem de busca por se tratar de um homem livre” – afirmou aquele responsável que, no entanto, avisou: “Se Agca não comparecer até segunda-feira, será considerado desertor e então poderá ser detido.”
Dezenas de jornalistas e uma multidão de curiosos esperaram ontem horas a fio por Agca em frente da esquadra policial de Pendik, subúrbio na zona asiática de Istambul, mas ele não compareceu.
Recorde-se que, na sequência da tentativa de assassínio do Papa, Agca esteve preso quase duas décadas em Itália, até ser extraditado há cerca de seis anos para a Turquia, onde voltou para a cadeia, em Istambul.
Cumpriu depois uma pena por ter assassinado em 1979 um célebre jornalista liberal, Addi Ipekçi, redactor-chefe do diário Milliyet, além de ter sido condenado em 2000 a 36 anos de prisão por dois assaltos a bancos nos anos de 1970. Agca beneficiou todavia de uma amnistia proclamada em 2002 e de reduções de pena contempladas na reforma do novo Código Penal turco.
Acrescente-se que, logo no dia em que Agca foi libertado, o ministro turco da Justiça, Cemil Cicek, declarou que a sua libertação iria ser reexaminada, deixando entender que o turco poderá voltar para a cadeia se o acórdão for anulado pelo Tribunal da Relação.
De facto, a libertação de Agca criou um profundo mau estar na Turquia, suscitando dúvidas sobre a legalidade da decisão, de acordo com a imprensa turca .“O assassino está entre nós” e “Dia de vergonha” foram os títulos dos diários turcos, que denunciaram na quinta-feira a libertação de Mehmet Ali Agca.
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