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Agência de 'rating' alerta para risco de colapso do Reino Unido com saída sem acordo

Período prolongado de perturbações nas relações com a UE terá consequências muito negativas.
Lusa 4 de Setembro de 2019 às 15:26
Boris Johnson
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A agência de 'rating' DBRS alerta para riscos de "colapso do Reino Unido", com a independência da Escócia, e regresso da violência sectária na Irlanda do Norte, em caso de saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo.

"A DBRS considera que pontos de vista divergentes sobre o 'Brexit' [saída do Reino Unido da União Europeia] entre os cidadãos do Reino Unido podem inadvertidamente levar ao colapso da União", indica a agência de 'rating' canadiana numa nota hoje divulgada, onde analisa as implicações dos cenários de 'Brexit' sem acordo e o seu potencial impacto na unidade do Reino Unido.

"Num extremo está um 'hard' Brexit "severo", no qual o Reino Unido sai permanentemente da União Europeia sem 'airbags' ou restrições quanto ao impacto da saída", frisa a agência de 'rating', adiantando que tal 'Brexit' "pode rapidamente mudar o apoio à independência da Escócia e até, com o tempo, o apoio à unificação da Irlanda, aumentando o risco de rutura do Reino Unido".

A DBRS frisa que estas considerações "são exacerbadas pelo enfraquecimento do contexto económico que intensifica as divisões dentro do Reino Unido".

A agência de 'rating' alerta que um período acentuado e prolongado de perturbações nas relações com a UE (isto é, um 'Brexit' sem acordo "severo") teria consequências muito negativas, "incluindo um possível desmantelamento da União" do Reino Unido.

"A DBRS espera que um 'Brexit' "grave" sem acordo seja política e economicamente doloroso e ameace a integridade da União", sintetiza a agência de 'rating', que adianta, na mesma nota, que uma rutura do Reino Unido colocaria pressão negativa sobre o atual rating de 'AAA', com perspetiva estável.

A DBRS salienta que as dificuldades em preservar a unidade do Reino Unido num cenário de saída da UE foram evidentes nos resultados divergentes na votação do referendo, em 2016, entre os países que integram o Reino Unido, no qual Inglaterra (53,4%) e País de Gales (52,5%) votaram para sair e Irlanda do Norte (55,8%) e Escócia (62,0%) votaram para ficar na UE.

"A independência escocesa é a causa mais provável de uma rutura do Reino Unido", indica a DBRS, argumentando que, uma vez que quase dois terços dos eleitores escoceses votaram para permanecer na UE, no referendo do 'Brexit', "a questão da Escócia permanecer membro da UE continuou a ser um aspeto importante no debate sobre a independência escocesa".

No caso de o Reino Unido deixar a UE, a DBRS antecipa que os pedidos de independência da Escócia se tornem ainda mais fortes, especialmente num cenário de saída sem acordo, adiantando que "um resultado mais remoto seria uma rutura [do Reino Unido] através da unificação da Irlanda do Norte com a República da Irlanda".

Numa outra nota, também hoje divulgada, a agência de 'rating' indica que um 'Brexit' sem acordo aumenta igualmente os riscos para a República da Irlanda, nomeadamente em termos de segurança e política, para além dos riscos económicos.

"Um 'Brexit' sem acordo representa um risco para o Acordo de Belfast que poderia despertar questões de segurança, incluindo a retoma da violência sectária", indica a DBRS.

A agência de 'rating' frisa que os atuais impasses políticos entre o Reino Unido, a UE e a Irlanda do Norte tornam-se "ainda mais complicados num cenário de 'Brexit' sem acordo", adiantando que a forma como a República da Irlanda navegaria pelas dificuldades do 'Brexit' também pode ter implicações na nota atribuída pela DRBS.

Jason Graffam, Vice-Presidente da DBRS, considera que "um retorno dos controlos fronteiriços e das restrições ao livre fluxo de pessoas e mercadorias entre as duas partes da Irlanda, provavelmente necessárias em caso de 'Brexit' sem acordo, poderia minar os ganhos de segurança obtidos na Irlanda do Norte desde a assinatura do Acordo de Belfast".

Será hoje debatido um projeto de lei para adiar o 'Brexit' para evitar uma saída sem acordo em 31 de outubro, com o objetivo de concluir em poucas horas todas as etapas do processo na Câmara dos Comuns.

Uma moção aprovada na terça-feira à noite retirou ao Governo britânico o controlo sobre a agenda parlamentar de hoje e dá a este grupo de deputados a oportunidade para apresentar um projeto de lei e acelerar o processo de aprovação para que todas as etapas sejam concluídas até ao final da tarde.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, adiantou hoje que pretende realizar eleições antecipadas em 15 de outubro, desafiando o líder trabalhista a apoiar esta proposta, que vai ser votada esta noite.
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