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Agências de viagens de Cabo Verde defendem "reabertura imediata" de fronteiras

Membro do conselho diretivo da AAVTCV considerou que o medo inicial do vírus já foi ultrapassado.
Lusa 16 de Setembro de 2020 às 08:37
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passaporte FOTO: CMTV
As agências de viagens e turismo de Cabo Verde defendem a "reabertura imediata" das fronteiras para ultrapassar os momentos difíceis das empresas por falta de voos comerciais internacionais, disse esta terça-feira à agência Lusa um membro da associação.

"As agência de viagens continuam na mesma, porque temos agora essa indefinição na data da abertura e essa incerteza no amanhã que nós não sabemos o que é que vai acontecer, principalmente para a agências de 'in coming' - as que recebem visitantes em Cabo Verde - é muito difícil porque não se pode planificar nada", afirmou Luísa Giorgensen, do conselho diretivo da Associação das Agências de Viagens e Turismo de Cabo Verde (AAVTCV).

Cabo Verde não recebe voos comerciais internacionais desde 19 de março, devido à pandemia de covid-19, tendo inicialmente anunciado a retoma em 30 de junho, mas com o recrudescer de casos, tanto na Europa como nas ilhas, a retoma dos voos comerciais foi novamente adiada.

Em entrevista à agência Lusa no final de julho, o ministro do Turismo e Transportes, Carlos Santos, disse que Cabo Verde deveria retomar voos comerciais internacionais na segunda quinzena de agosto, mas um mês depois essa previsão ainda não se concretizou e não há nova indicação.

A membro do conselho diretivo da AAVTCV considerou que o medo inicial do vírus já foi ultrapassado e as pessoas e empresas já têm informações suficientes sobre a doença.

Por isso, defendeu que neste momento "não há razões" para continuar com o confinamento. "Há que haver uma abertura", advogou Luísa Giorgensen, que deu como exemplo a estratégia adotada pela Suécia, que no seu entender teve "consequências positivas" para a economia.

"Achamos que deverá haver uma abertura, a população já está acostumada, já sabe como agir", disse a responsável associativa, para quem os efeitos para as empresas do setor são enormes, acreditando que algumas já devem estar fechadas e outras estão a seguir o mesmo caminho.

"Porque sem rendimento, sem poder trabalhar, não há como sustentar. Acho que se não houver um posicionamento do Governo para uma abertura imediata, ou então com uma data precisa do momento de abertura, vai ser a morte para as empresas", previu Luísa Giorgensen.

A responsável lembrou que essas empresas já estão há seis meses na mesma situação, que todas têm as suas despesas, e que há uma altura em que chegam a um limite, onde não se pode fazer mais nada, e "o fecho é o caminho".

"As palavras são incerteza e indefinição, e assim não se pode planificar", lamentou.

Desde o início da pandemia, o país já realizou vários voos de repatriamento e desde 01 de agosto tem um "corredor aéreo" com Portugal para "voos essenciais" nos dois sentidos, que obrigam à apresentação de testes negativos à covid-19 realizado nas 72 horas antes da viagem.

Luísa Giorgensen aproveitou para congratular o Governo pelos voos essenciais, que começaram com a TAP e no mês de outubro está previsto serem feitos também pela companhia Açores Airlines (SATA), com voos com destino à Praia.

"Já é um fôlego, mas isso não chega porque os voos não estão abertos. Temos alguns clientes a perguntar, temos grupos formados que poderão querer vir, fazer a mudança das datas, mas essa indefinição está a emperrar e nós não podemos fazer nada enquanto continuar nessa incerteza", salientou.

A procura turística deverá recuar este ano a níveis de 2009, devido à pandemia de covid-19, com a perda de 536 mil turistas face à previsão inicial do Governo.

A previsão consta de um documento de suporte ao Orçamento Retificativo para 2020 que entrou este mês em vigor e que aponta para uma quebra de 58,8% na procura turística, face aos 819 mil turistas que o arquipélago recebeu em 2019.

O Governo estimava antes da pandemia de covid-19 um crescimento da procura turística de 6,6%, aproximando-se da meta anual de um milhão de turistas, depois de um crescimento de 7% em 2019.

Contudo, na previsão do Governo que consta do documento de suporte orçamental revisto, Cabo Verde deverá receber este ano apenas 337.555 turistas. Deste total, 170.778 são turistas que já visitaram o país no primeiro trimestre de 2020, pelo que até final do ano o país deverá receber pouco mais de 165.000 turistas.

O turismo representa praticamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde e a revisão em forte baixa das previsões para 2020 reflete-se desde logo numa quebra de 66,1% nas receitas com o setor.

As receitas com o turismo renderam em 2019 um máximo histórico de 43.103 milhões de escudos (389 milhões de euros), mas segundo a previsão do Governo deverão cair este ano para 15.086 milhões de escudos (136 milhões de euros).

Cabo Verde tinha até terça-feira um acumulado desde 19 de março de 4.904 casos de covid-19 e 46 óbitos.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 929.391 mortos e mais de 29,3 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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