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Correio da Manhã

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Al-Qaeda inocente

Os atentados de Londres foram realizados por células independentes e autónomas sem ligação directa à al-Qaeda. Estas são as conclusões preliminares da maior investigação ao terrorismo jamais realizada no Reino Unido. Segundo o jornal ‘The Independent’, que avançou a notícia, as autoridades estão preocupadas com as descobertas, pois a autonomia das células torna quase impossível prevenir novos atentados.
14 de Agosto de 2005 às 00:00
O massacre de dia 7 foi planeado e executado sem ajuda externa
O massacre de dia 7 foi planeado e executado sem ajuda externa FOTO: Lindsey Parnaby/Epa
Os investigadores apuraram que a célula de quatro suicidas que matou 52 pessoas no dia 7 de Julho não tem qualquer relação com os quatro bombistas de dia 21. Além disso, tanto no caso dos primeiros ataques como dos segundos, não foi descoberta qualquer relação com a rede terrorista de Osama bin Laden.
“Toda essa conversa sobre um líder da al-Qaeda parece algo saído de um filme. Mas é claro que as coisas podem mudar se obtivermos outras informações”, salientou uma fonte da investigação ao jornal britânico.
“O aspecto mais relevante é os atentados não estarem ligados”, afirmou a mesma fonte, salientando as dificuldades de que se reveste a detecção de células independentes.
“Preocupa-nos o facto de nenhum deles estar nos ficheiros das autoridades. Muito provavelmente há outros de que nada sabemos. Nos últimos 10 anos, desmantelámos com sucesso várias organizações que poderiam ter efectuado atentados semelhantes aos das últimas semanas”, salientou a mesma fonte, concluindo: “Mas não podemos desmantelar todas. Só precisam de ter sorte uma vez, e é certo que em qualquer altura vai aparecer outro grupo de suicidas ou bombistas”.
Sobre um eventual papel da al-Qaeda nos ataques da capital inglesa, os investigadores consideram que, a ter havido algum, foi indirecto. Recorde-se que no caso dos atentados de 7 de Julho, dois dos suicidas – entre eles Mohammad Sidique Khan, o presumível líder do grupo – passaram três meses no Paquistão, onde podem ter sido instruídos no fabrico de bombas em campos de treino. Em todo o caso, nenhum deles tinha ligações com a al-Qaeda.
Daí que o facto de recentemente Ayman al-Zawahri, ‘N.º2’ da organização, ter ligado os atentados de Londres à guerra no Iraque – desta forma assumindo, sem uma reivindicação directa, a responsabilidade pelos ataques – estar a ser encarado como puro oportunismo. A ideia, afirmam os investigadores, é manter o prestígio da al-Qaeda e o seu papel de líder da guerra santa mundial.
BOMBISTAS IMITAM SUICIDAS
No caso dos atentados falhados de dia 21, a tese predominante é a de que se tenha tratado de uma ‘imitação’ dos ataques anteriores, realizada por um grupo sem laços com núcleos radicais e sem qualquer relação com os suicidas.
DESENVOLVIMENTOS
AMEAÇA
Juízes e activistas dos direitos humanos consideram que o governo britânico ameaça o Estado de direito com as novas directivas sobre terrorismo. Os magistrados afirmam que não podem ser coagidos a deportar radicais.
FILME
Um filme sobre bombistas muçulmanos britânicos vai competir no festival de cinema de Montreal, no Canadá. Realizado por Roy Battersby, o filme conta a história de três fanáticos que fazem reféns num restaurante.
ACUSADOS
A investigação dos atentados de dia 21 levou à detenção de 39 suspeitos, 14 dos quais já foram formalmente acusados. Entre eles estão três dos quatro bombistas. O último, Osman Hussein, foi preso em Itália e aguarda deportação.
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