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Correio da Manhã

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Al-Qaeda responsável por atentado contra Bhutto

O Governo paquistanês afirma ter interceptado uma comunicação entre elementos da al-Qaeda, em que um dos dirigentes da rede terrorista felicita os seus homens pelo ataque.
28 de Dezembro de 2007 às 17:29
O porta-voz do ministro do Interior paquistanês, Javed Cheema, afirma ter “provas irrefutáveis” de que a al-Qaeda está a tentar desestabilizar o Paquistão.
As autoridades paquistanesas acusam ainda a organização terrorista de ser igualmente responsável pelo atentado de 18 de Outubro contra Benazir Bhutto, que matou 150 pessoas.
Javed Cheema alerta ainda o líder da oposição paquistanesa, Nawaz Sharif, para o facto de estar “sob ameaça” de ataque terrorista.
O porta-voz esclareceu ainda que Bhutto não morreu devido aos disparos, mas por causa de uma pancada no tejadilho do automóvel em que seguia. Javed Cheema explicou que o impacto da explosão fez desequilibrar Bhutto, que estava na altura de pé, acenando aos seus apoiantes através do tecto de abrir do veículo, e bater com a cabeça.
MILHARES DE PESSOAS NA DESPEDIDA
Milhares de pessoas marcaram HOJE presença no funeral de Benazir Bhutto, antiga primeira-ministra do Paquistão, assassinada ontem por um bombista suicida à saída de um comício em Rawalpindi.
A urna com o corpo de Bhutto chegou ao mausoléu da família pelas 11h00 TMG (mesma hora em Lisboa), num cemitério da província de Sind (sul), de onde é natural. O caixão de madeira simples foi envolto na bandeira do seu partido – o Partido do Povo Paquistanês – e transportado até ao cemitério numa ambulância branca.
À saída do caixão assistiram a irmã de Benazir, único membro da família Bhutto ainda vivo, o marido, Asif Zardari, e os três filhos do casal.
Na cerimónia participaram ainda vários responsáveis do seu partido. No entanto, o dirigente Nawaz Sharif não pode estar presente por questões de segurança.
O corpo da líder da oposição paquistanesa será sepultado ao lado do seu pai, que também foi primeiro-ministro e morreu por enforcamento, após ter sido deposto do governo.
Os milhares de paquistaneses que quiseram prestar uma última homenagem a Bhutto chegaram em tractores, autocarros, carros e jipes.
Benazir Bhutto, com 54 anos de idade, tinha regressado ao país há dois meses, depois de ter imposto a si própria o exílio. A sua chegada ao Paquistão ficou marcada por um atentado, da qual saiu ilesa. À segunda, Bhutto não escapou e acabou por falecer, mergulhando o país numa intensa crise.
ELEIÇÕS A 8 DE JANEIRO MANTÊM-SE
Apesar do pedido de vários partidos da oposição, o governo paquistanês não pretende adiar as eleições legislativas, marcadas para 8 de Janeiro.
Mohammedmian Soomro, que lidera o governo interino, afirmou que um possível adiamento só será decidido após o encontro com todos os partidos.
APOIANTES DE BHUTTO MANIFESTAM-SE
Um dia depois da morte de Bhutto, cerca de quatro mil apoiantes manifestaram-se em Peshawar. Algumas centenas atacaram as instalações do principal partido pró-Musharraf, presidente do Paquistão, queimando mobília.
O edifício estava vazio, pelo que não se registaram vítimas.
FORÇAS MILITARES COM ORDEM PARA DISPARAR
As forças paramilitares paquistanesas receberam “ordem para disparar se se aperceberem de indivíduos em actividades que coloquem em perigo a segurança do Estado, atacando os edifícios públicos ou a propriedade privada”, informou o comandante Athar Ali.
Dezasseis mil homens da forças especiais foram enviados para a província de Sind, dos quais dez mil ficarão em Carachi.
NOVA EXPLOSÃO MATA TRÊS PESSOAS
Um dia depois do atentado que vitimou Bhutto, o Paquistão vive um clima de tensão. Uma explosão numa província do noroeste do país matou esta sexta-feira três pessoas, uma das quais era candidato do partido do poder à eleições legislativas.
Entre ontem e hoje já morreram 19 pessoas em tumultos.
SHARIF RESPONSABILIZA MUSHARRAF POR MORTE
O ex-primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, acusa o presidente Pervez Musharraf de ser o responsável pelo atentado que vitimou Bhutto, afirmando que o ataque é uma “prova” que o Chefe de Estado não tem “qualquer intenção” de efectuar eleições “livres e equilibradas”.
Quanto à data das eleições, 8 de Janeiro, Sharif exige o seu adiamento, uma vez que entende que se mantiver o calendário eleitoral “isso vai levar-nos ao caminho da autodestruição, que não acabará apenas na destruição do governo, mas também do próprio país”.
“Musharraf tem de abandonar o poder, esta é hoje a principal ecigência da nação e vejo que as pessoas querem que ele o faça o mais rapidamente possível, sem tardar”, afirmou Sharif.
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