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Alargar expulsão a cidadãos da UE

O ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, desencadeou uma polémica ao elogiar, em entrevista ao ‘Corriere della Sera’, as medidas recentemente adoptadas contra os ciganos em França e ao declarar que o seu governo pretende expulsar de Itália os ciganos e também todos os cidadãos comunitários que não cumpram "requisitos mínimos" para ficar no país.
22 de Agosto de 2010 às 00:30
Roberto Maroni (na foto) quer expulsar de Itália os ciganos de países da UE sem emprego nem “residência adequada”
Roberto Maroni (na foto) quer expulsar de Itália os ciganos de países da UE sem emprego nem “residência adequada” FOTO: Giuseppe Giglia/EPA

"Sim, queremos expulsões como as de imigrantes ilegais, e não repatriamentos assistidos ou voluntários", frisou o ministro, que integra a coligação governativa do primeiro--ministro, Silvio Berlusconi, em representação da Liga do Norte, partido com ideologia marcadamente xenófoba.

Maroni frisou que as leis da União Europeia (UE) não permitem este tipo de expulsão, mas lembrou que algumas regras legitimariam a medida ao estabelecer "requisitos mínimos para as pessoas a viver noutro Estado--membro: rendimento mínimo, residência adequada e não estar a cargo da segurança social".

A Conferência Episcopal italiana criticou as afirmações, considerando que o governo não pode decidir expulsões indiscriminadamente. Monsenhor Giancarlo Perego denunciou o cerco aos ciganos, os verdadeiros visados, e lembrou que "80% dos que residem em Itália são italianos, não imigrantes". Para Leoluca Orlando, da Itália dos Valores, o plano de Roberto Maroni é "racista" e viola o "princípio do direito à segurança".

CIGANOS PEDEM AJUDA AO GOVERNO DE ESPANHA

Associações de ciganos espanholas exigem ao governo de José Luis Rodríguez Zapatero "que se pronuncie" ante medidas "racistas" como as que a França está a aplicar ao expulsar pessoas de etnia cigana para a Bulgária e a Roménia.

A Fundação Secretariado Cigano pede, mais exactamente, que seja defendido "o que a Espanha tem feito na presidência da União Europeia, que é promover as políticas de inclusão social da comunidade cigana". A associação considera que "o mais grave" da política francesa é a mensagem que passa, ao "misturar criminalidade com ilegalidade e imigração, estigmatizando os ciganos". Manuel García, da União Romaní, outra associação cigana, sublinhou que "os direitos humanos estão a ser violados de forma brutal no país da ‘egalité’".

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