Garantir um abastecimento energético fiável e acessível para o setor industrial da primeira economia europeia, confrontada com uma profunda crise industrial, é uma promessa emblemática da coligação do chanceler Friedrich Merz.
A Alemanha anunciou esta quinta-feira que alcançou um acordo de princípio da Comissão Europeia para construir novas centrais elétricas a gás sem infringir as regras europeias nem os seus objetivos de neutralidade climática até 2045.
Garantir um abastecimento energético fiável e acessível para o setor industrial da primeira economia europeia, confrontada com uma profunda crise industrial, é uma promessa emblemática da coligação do chanceler Friedrich Merz.
Berlim chegou a "um acordo de princípio com a Comissão Europeia sobre elementos-chave" da sua "estratégia relativa às centrais elétricas" com o objetivo de "garantir o abastecimento de eletricidade na Alemanha, em conformidade com as regras europeias", indica o Ministério da Economia e da Energia, em comunicado, citado pela AFP.
Serão lançados concursos públicos a partir de 2026 para poder produzir 12 gigawatts adicionais, dos quais 10 com um "critério de longo prazo" que permitirá a construção de "centrais a gás modernas e altamente eficientes", especifica a mesma fonte.
O objetivo é dispor de uma fonte de energia de reserva em caso de escassez de energias renováveis, na ausência de sol e vento, um problema cada vez mais importante com o aumento destas últimas no 'mix' energético alemão.
Os novos equipamentos, que devem entrar em serviço "o mais tardar" em 2031, "serão compatíveis com o hidrogénio e serão totalmente descarbonizados o mais tardar em 2045" através de conversões por etapas, garante o ministério.
A ONG ambientalista Deutsche Umwelthilfe (DUH) denunciou em comunicado uma "má notícia para os consumidores de eletricidade e para os objetivos climáticos", devido aos "custos e emissões de CO2 desnecessários" que as novas construções irão gerar.
Menos poluente do que o carvão, o gás natural pode preencher as lacunas até que as energias renováveis estejam suficientemente desenvolvidas, garantem os seus defensores.
Tanto mais que a Alemanha abandonou definitivamente a energia nuclear em 2023 e deve renunciar às suas centrais a carvão até 2038.
Este plano respeita outro objetivo previsto na lei, o da neutralidade climática das centrais até 2045, argumenta o ministério.
Para apoiar a competitividade das empresas com elevado consumo de energia, a coligação do chanceler Friedrich Merz estabeleceu como prioridade a redução do preço da eletricidade na Alemanha, que aumentou significativamente na sequência da guerra na Ucrânia.
"A saída da energia nuclear foi um grave erro estratégico" para o país, que está a passar pela "transição energética mais cara do mundo", lamentou Merz na quarta-feira, durante uma intervenção perante empresários e industriais.
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