Atirador de Estrasburgo gritou saudação islâmica e França trata caso como terrorismo

Chérif C., de 29 anos foi ferido e está em fuga. Já era conhecido das autoridades por assaltos a bancos e outros crimes.
11.12.18
Eurodeputada Sofia Ribeiro em Estrasburgo reage a tiroteio em mercado de Natal
As autoridades de França e da Alemanha têm montada esta quarta-feira uma operação de larga escala para tentar deter Chérif C., o homem suspeito de abrir fogo num mercado de Natal de Estrasburgo na noite de terça-feira e que está em fuga.

Na manhã desta quarta-feira, o procurador da Repúblcia de Paris, Rémy Heitz, deu uma conferência de imprensa no tribunal de Estrasburgo em que clarificou a forma como as autoridades encaram o ataque: "O terrorismo atingiu mais uma vez o nosso território, em Estrasburgo". O responsável pela investigação judicial em curso revelou ainda que o atirador gritou 'Allahu Akbar' (Alá é Grande) , a expressão de saudação comum entre os muçulmanos, antes de abrir fogo contra a multidão

Segundo o balanço oficial, três pessoas morreram e 16 ficaram feridas - 9 das quais em estado grave -, no tiroteio no mercado de Natal, no centro de Estrasburgo, em França. O procurador revela que uma das pessoas alvejadas está em morte cerebral, sendo já contabilizada como uma vítima fatal.

As autoridades confirmam que o autor do ataque é Chérif C., de 29 anos e nascido a 4 de fevereiro em Estrasburgo. De acordo com o jornal Le Figaro, o homem  fugiu do local do tiroteio num táxi que roubou no momento, depois de ter sido atingido por um soldado francês. Terá disparado pelo menos duas vezes contra as forças de segurança que o tentavam travar.

O suspeito é conhecido das autoridades por vários delitos, incluindo assaltos a bancos. Autoridades admitem que possa ter escapado para a Alemanha, dado que Estrasburgo fica na fronteira entre os dois países.

Irmãos detidos e suspeito está ferido

Os media franceses adiantam na manhã desta quarta-feira que dois irmãos do suspeito foram detidos para interrogatório. O Le Figaro avança que um dos detidos está registado com 'Ficha S', tal como Chérif, a lista que engloba suspeitos de pertencerem a grupos radicais considerados perigosos.

Crê-se que Chérif foi ferido num braço no tiroteio com a polícia francesa. Fugiu com armas de fogo e é considerado muito perigoso. A perseguição ao suspeito envolve 430 agentes da autoridade em França e a polícia alemã também está em alerta.

Secretário de Estado não confirma terrorismo

Na manhã desta quarta-feira, o secretário de Estado do Interior, Laurent Nunez, afirmou que "a motivação terrorista [do ataque] ainda não está completamente estabelecida" e recomendou prudência em classificar o ataque como atentado. O político diz que o atacante não tinha ligações terroristas conhecidas, mas terá sido atraído a movimentos radicais durante um dos vários períodos em que esteve preso. Dái que conste da  lista de potenciais suspeitos das autoridades francesas. Nunez admite que Chérif possa já ter saído de França.

Estradas cortadas em França e vigilância na Alemanha

O acesso à autoestrada A35 foi cortado e as autoridades levam a cabo buscas aos veículos que pretendem atravessar a fronteira para a Alemanha na tentativa de assegurar que o suspeito não sai do país. As fronteiras foram reforçadas e a vigilância intensificada em todo o país. Cerca de 350 operacionais foram mobilizados nas buscas ao suspeito, incluindo uma centena da polícia judiciária e dois helicópteros.

Na manhã desta terça-feira, a polícia dirigiu-se a casa do suspeito para o deter, no âmbito de um inquérito em curso relativo a um caso de assalto. No entanto, este não se encontrava na habitação. De acordo com a BFMTV, as autoridades realizaram buscas à casa do suspeito e foram encontradas granadas. 




Carlos Moedas em Estrasburgo sobre tiroteio: "Temos de manter a calma"


O presidente francês, Macron, já fez uma homenagem e mostrou-se solidário com as famílias das vítimas através de uma publicação no Twitter: "Solidariedade de toda a nação para com as nossas vítimas e as suas famílias, escreveu.

No Senado francês foi feito um minuto de silêncio em homenagem às vítimas, a pedido do senador Landes Eric Kerrouche. O departamento francês divulgou um comunicado oficial, em que confirma sete feridos em estado grave.







De acordo com os meios de comunicação franceses, o tiroteio terá ocorrido perto de um mercado de Natal, na praça Kléber - uma das praças centrais da cidade - cerca das 20h00 locais, 19h00 em Portugal Continental. Após se ouvirem os disparos, as pessoas que se encontravam nas ruas começaram a correr, entre gritos, à procura de um lugar seguro. 

As instalações do Parlamento Europeu foram fechadas após o tiroteio. Os deputados estiveram fechados durante várias horas dentro do edifício, sendo autorizados a sair já depois das 2h00 locais (1h00 em Portugal).



O
 Ministério do Interior descreve o incidente como um "grave ataque à segurança" e alertou a população para ficar dentro de casa. As autoridades encaram a ocorrência como um possível ataque terrorista.

Nos momentos seguintes ao tiroteio, as autoridades evacuaram o local e pediram que as pessoas se escondessem dentro de bares, restaurantes e lojas e que se afastem das ruas. 

A Câmara Municipal da região pediu calma à população. 
O presidente da Câmara local, Roland Ries, confirmou ao jornal Le Figaro, que o atirador se encontra em fuga.

A praça onde se deu o tiroteio é bastante frequentada por turistas. As autoridades pedem que não se espalhem rumores nas redes sociais. 

A eurodeputada, Sofia Ribeiro, está em Estrasburgo e presenciou o momento. "Hoje, alguns de nós, tiveram de mostrar as carteiras. Neste momento estão a decorrer trabalhos do plenário, que reúne muita gente. É uma altura em que Estrasburgo tem muito mais população. E nesta altura do Natal ainda mais. Este é o mercado de Natal mais antigo da Europa. Vêm cá milhares de pessoas nesta altura", disse.

"Para conseguirmos marcar reserva num hotel, por exemplo, temos de marcar com semanas de antecedência", confessou Sofia Ribeiro.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou esta terça-feira solidariedade ao seu homólogo francês, Emmanuel Macron, após o tiroteio na cidade de Estrasburgo, e repudiou "este episódio de violência".













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